O Ministério Público do Estado de Mato Grosso abriu inquérito civil para apurar o gasto de R$ 1,5 milhão na contratação do cantor Gusttavo Lima, pago com recursos públicos do Governo do Estado para um show realizado na inauguração do Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, em 19 de dezembro de 2025.
A investigação, conduzida pela 36ª Promotoria de Justiça Cível, mira diretamente o contrato firmado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, formalizado por meio do Contrato nº 061/2025/SECEL. O procedimento foi instaurado para verificar a legalidade, a moralidade administrativa e a justificativa do gasto diante do interesse público.
De acordo com o Ministério Público, a contratação foi realizada via inexigibilidade de licitação — mecanismo permitido quando há inviabilidade de concorrência, como no caso de artistas consagrados. Ainda assim, o promotor Clóvis de Almeida Júnior destaca que o modelo não dispensa a necessidade de comprovação de preço compatível com o mercado e de motivação adequada do ato administrativo.
O foco do inquérito é justamente o valor desembolsado para a apresentação: R$ 1,5 milhão. O Ministério Público quer saber se o montante pago ao artista está dentro dos parâmetros praticados em contratações semelhantes e se houve estudo técnico que justificasse o investimento.
A apuração inclui análise de documentos do processo administrativo, justificativas da contratação e comparativos de mercado para shows de grande porte.
Show marcou inauguração de megaparque
O evento ocorreu durante a inauguração do Parque Novo Mato Grosso, um complexo projetado para sediar grandes eventos, feiras e atividades de lazer, localizado na rodovia MT-251, saída para Chapada dos Guimarães.
O parque é considerado um dos maiores projetos de infraestrutura do estado, com investimento estimado em cerca de R$ 900 milhões. Parte da estrutura já foi entregue e utilizada na inauguração, incluindo área para grandes shows e eventos, enquanto outras etapas seguem em execução.
A realização do show com recursos estaduais, dentro de um projeto de alto custo, intensificou o debate sobre prioridades na aplicação do dinheiro público.
Para o Ministério Público, além da legalidade formal, será avaliado se o gasto atende ao interesse coletivo e aos princípios da administração pública, como economicidade e razoabilidade.
O inquérito segue em andamento e poderá resultar em recomendações ou responsabilizações, caso sejam identificadas irregularidades na contratação ou no valor pago ao artista.