MT bate recorde de abates no 1º trimestre de 2026 e reforça mudança no ciclo pecuário

Mato Grosso registrou recorde histórico de abates de bovinos no primeiro trimestre de 2026, com o envio de 1,83 milhão de cabeças aos frigoríficos, segundo boletim semanal divulgado nesta segunda-feira (7) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. O volume representa um avanço de 6,70% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento no abate de machos, que somaram 899,29 mil cabeças, alta de 15,66% na comparação anual e também recorde para o período. Já o abate de fêmeas apresentou leve retração de 0,70%, totalizando 935,25 mil cabeças.
Os números indicam uma mudança na composição do rebanho destinado ao abate. A participação de fêmeas caiu de 54,78% no primeiro trimestre de 2025 para 50,98% em 2026, enquanto a de machos subiu de 45,22% para 49,02%.
Segundo o Imea, esse movimento sinaliza uma tendência de retenção de fêmeas, estratégia comum em fases de transição do ciclo pecuário, quando produtores optam por preservar matrizes para recomposição do rebanho.
Preços seguem em alta no estado
Além do desempenho no campo, o mercado pecuário mato-grossense também registrou valorização nos preços. Na última semana, a arroba do boi gordo a prazo apresentou alta de 2,41%, sendo cotada, em média, a R$ 349,50/@.
O bezerro de 7 arrobas seguiu o mesmo movimento e teve valorização mais expressiva, de 7,64%, alcançando média de R$ 16,16 por quilo. Já a carcaça casada do boi registrou aumento de 2,22%, com preço médio de R$ 24,90/kg, impulsionada pela maior demanda interna.
Pecuária deve ganhar força no VBP de 2026
De acordo com o Imea, a bovinocultura de corte deve ganhar ainda mais relevância na economia estadual em 2026. A estimativa é de que o Valor Bruto de Produção (VBP) da agropecuária de Mato Grosso alcance R$ 208,35 bilhões, o que representa uma retração de 2,18% em relação a 2025, puxada principalmente pelo desempenho da agricultura.
Na contramão, a pecuária deve crescer. O VBP da bovinocultura de corte está projetado em R$ 42,10 bilhões, alta de 6,87%, passando a representar 20,21% do total estadual.
O avanço, segundo o instituto, será sustentado principalmente pela valorização da arroba do boi gordo, reflexo da menor oferta de animais no mercado, diante da retenção de fêmeas, e da demanda firme por animais terminados.
Tendência é de ajuste na oferta
Apesar do recorde de abates no início do ano, o cenário para os próximos meses indica uma possível redução gradual na oferta de animais. Isso ocorre justamente devido à retenção de fêmeas nas propriedades, o que tende a limitar o volume disponível para abate no médio prazo.
Nesse contexto, o Imea avalia que o crescimento da pecuária em 2026 deve ser puxado mais pelos preços do que pelo aumento da produção, consolidando a fase de transição do ciclo pecuário em Mato Grosso.
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