Na Globo, Zema defende anistia a Bolsonaro e diz ser contra a obrigatoriedade de vacina

O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), durante entrevista concedida à TV Globo na noite desta segunda-feira (24). A declaração ocorreu durante a primeira sabatina da emissora com os presidenciáveis nas eleições de 2026.
Questionado sobre a anistia, Zema afirmou que, em sua avaliação, quem idealizou os atos, mas não participou diretamente da execução, não deveria responder pelos mesmos crimes.
“Quem comete o crime é quem leva o crime adiante. Quem idealizou, mas não levou, para mim, não cometeu crime”, afirmou.
A declaração foi questionada por Renata Vasconcellos, que perguntou ao candidato se ele discordava das condenações relacionadas aos crimes apontados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos processos envolvendo os atos de 8 de janeiro. Zema manteve a defesa da anistia e contestou a interpretação de que houve uma tentativa de golpe de Estado.
Dívida de Minas Gerais
A situação fiscal de Minas Gerais foi um dos primeiros temas abordados na entrevista. Renata questionou Zema sobre o aumento da dívida do Estado durante o período em que esteve à frente do governo.
Segundo dados apresentados durante a sabatina, a dívida de Minas Gerais passou de cerca de R$ 88 bilhões em 2019 para quase R$ 180 bilhões em 2025. Zema afirmou que não contratou novos empréstimos durante sua gestão e atribuiu parte do crescimento aos juros cobrados pela União e a dívidas acumuladas por administrações anteriores.
“A dívida de Minas foi toda feita no passado. Eu não fiz nenhum empréstimo durante o meu governo”, afirmou.
Zema também disse que pagou R$ 23 bilhões relacionados a aposentadorias e R$ 13 bilhões ao governo federal.
Vacinação
Outro ponto da entrevista foi a vacinação. Zema afirmou ser contra a obrigatoriedade de vacinas, embora tenha declarado que tomou todas as doses contra a Covid-19 e que acredita na ciência.
Segundo o candidato, o governo deve priorizar campanhas de conscientização para aumentar a adesão à vacinação, mas não deve punir famílias que optarem por não se imunizar.
“Eu tomei todas as vacinas da Covid e acredito na ciência. Agora, eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacina”, disse.
Segurança pública
Na área de segurança, Zema citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como referência para suas propostas. O candidato afirmou que pretende adaptar ao Brasil medidas relacionadas ao combate às organizações criminosas, sem reproduzir práticas que considera incompatíveis com a legislação brasileira.
Entre as propostas apresentadas estão o aumento do chamado “custo do crime”, a retomada de territórios dominados por facções e a ampliação do sistema penitenciário.
Zema também defendeu a criação de um “superpresídio” para líderes de organizações criminosas, como parte da estratégia de combate às facções.
Trabalho por hora
Na área trabalhista, o candidato defendeu a criação de um modelo de trabalho remunerado por hora e mudanças na legislação para facilitar a formalização.
“Quero simplificar as leis trabalhistas e criar um regime de trabalho por hora, como existe em todo país sério e desenvolvido. Com isso, vamos formalizar o trabalho”, afirmou.
Previdência e salário mínimo
Zema também falou sobre a Previdência. Ele afirmou que não pretende alterar imediatamente a idade mínima para aposentadoria, mas defendeu que o parâmetro seja revisto conforme o aumento da expectativa de vida.
Sobre o salário mínimo, o candidato afirmou que pretende garantir a reposição pela inflação e condicionou aumentos reais ao desempenho da economia e ao equilíbrio das contas públicas.
Economia e juros
Entre as propostas econômicas apresentadas durante a entrevista, Zema defendeu um ajuste fiscal para reduzir a taxa básica de juros. O candidato afirmou que pretende trabalhar para levar a Selic a 6% ao ano caso seja eleito.
Ele também criticou os juros cobrados sobre a dívida de Minas Gerais, classificados por ele como “juros de agiota”, e voltou a defender medidas de controle das despesas públicas.
Corrupção e trajetória política
Zema também foi questionado sobre sua gestão em Minas Gerais e sobre o aumento dos salários de agentes políticos durante seu governo. O candidato afirmou que não recebeu o reajuste destinado ao governador e disse que doou integralmente seu salário para instituições sociais.
Durante a entrevista, o candidato reforçou ainda sua trajetória empresarial e afirmou que pretende combater privilégios e corrupção caso seja eleito.
A sabatina foi conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli e marcou a abertura da série de entrevistas da TV Globo com candidatos à Presidência. A programação segue ao longo da semana com outros presidenciáveis.
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