Natasha rebate Galvan e diz ser “surreal” questionar feminicídio em MT; veja vídeo
Candidata ao Governo de MT afirma que assassinatos de mulheres por razões de gênero não podem ser tratados como homicídios comuns e cobra resposta diante dos índices de violência

A candidata ao Governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD), criticou as declarações do candidato ao Senado Antônio Galvan (Avante) sobre feminicídio e afirmou ser “surreal” questionar a existência do crime diante do número de mulheres assassinadas no Estado.
A reação ocorreu após Galvan defender que não deveria haver diferenciação entre homens e mulheres na legislação relacionada aos homicídios. O candidato também afirmou que o aumento das penas não seria suficiente para enfrentar o problema e apontou a desestruturação familiar e dificuldades econômicas entre as causas da violência.
Durante entrevista após a sabatina da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Natasha contestou a posição e citou os números registrados no Estado.
“Eu fico muito incrédula de que tenham pessoas que acham que o feminicídio não está acontecendo, que morte de homem e de mulher é a mesma coisa. As mulheres estão sendo mortas apenas pelo simples fato de serem mulheres. São 31 mulheres só este ano no nosso Estado”, afirmou.
O número citado pela candidata corresponde aos registros do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, que contabilizou 31 feminicídios no Estado até 16 de agosto. Quatro desses crimes ocorreram somente em agosto. Em 2025, foram registrados 54 feminicídios em Mato Grosso.
Estado tem uma das maiores taxas do país
O cenário citado por Natasha também aparece nos dados nacionais de segurança pública. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 apontou que Mato Grosso registrou 53 feminicídios em 2025, contra 47 no ano anterior, aumento de cerca de 11%.
A taxa chegou a 2,7 vítimas para cada 100 mil mulheres, colocando Mato Grosso na terceira posição entre os estados com os maiores índices do país, atrás de Acre e Rondônia. O levantamento também mostra que 55,8% das mulheres assassinadas no Estado em 2025 foram vítimas de feminicídio.
Para Natasha, os números demonstram que a violência contra a mulher possui características específicas e não pode ser tratada da mesma maneira que os demais homicídios.
“É surreal imaginar que alguém fale que não existe feminicídio”, afirmou.
A candidata também chamou atenção para os impactos dos crimes sobre os filhos das vítimas. Segundo ela, cerca de 500 crianças ficaram órfãs em decorrência dos feminicídios registrados no Estado.
“É muito raro um homem ser morto por ser homem”
Ao rebater a comparação entre homicídios de homens e mulheres, Natasha argumentou que a motivação relacionada ao gênero é justamente o que caracteriza o feminicídio.
“É muito raro ver um homem que foi assassinado pelo fato de ser homem”, declarou.
A legislação brasileira estabelece o feminicídio como homicídio cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, caracterizadas quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
A manifestação de Natasha se soma a outras reações de integrantes da disputa eleitoral em Mato Grosso. A candidata ao Senado Margareth Buzetti (Progressistas) também criticou Galvan e classificou a declaração como “vazia” e “sem nexo”.
O episódio colocou novamente a violência contra a mulher no centro do debate eleitoral em Mato Grosso, Estado que aparece entre os que apresentam as maiores taxas de feminicídio do país.
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