Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS (MIDTERMS 2026)

Norte-americanos vão às urnas para definir controle do Congresso e o futuro da agenda de Trump

Com todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 assentos do Senado em disputa nesta terça-feira (3), pleito de meio de mandato funciona como termômetro do governo e pode impor maioria oposicionista na reta final da gestão republicana

Os eleitores dos Estados Unidos comparecem às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, nas tradicionais eleições legislativas de meio de mandato — conhecidas como midterms — para decidir se o Partido Republicano manterá a hegemonia no Capitólio ou se o Partido Democrata assumirá o comando do Legislativo durante os dois últimos anos do segundo mandato presidencial de Donald Trump. Conforme aponta a cobertura da CNN Brasil e do portal UOL, além da renovação completa das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 das 100 vagas do Senado, o pleito define os governadores de 36 estados e 3 territórios, bem como diversos cargos estaduais e locais.

Embora o nome de Donald Trump não esteja na cédula de votação, a disputa adquiriu caráter de referendo sobre a atual administração. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma sofrer desgastes nas eleições de meio de mandato, e o cenário atual combina forte polarização política com preocupações econômicas do eleitorado em torno do custo de vida, habitação, saúde e energia.

O equilíbrio de forças no Capitólio

Atualmente, os republicanos detêm maiorias estreitas nas duas Casas do Congresso, mas enfrentam uma intensa ofensiva democrata em distritos e estados considerados estratégicos. De acordo com dados compilados pelo g1 e pelo UOL, o quadro legislativo que antecede o fechamento das urnas exige atenção redobrada de ambas as legendas:

  • Câmara dos Representantes: Todos os 435 assentos estão em jogo para mandatos de dois anos. Para garantir o controle da Casa, um partido precisa alcançar a marca mínima de 218 deputados. Antes da votação, os republicanos contavam com uma margem mínima de 218 cadeiras contra 214 dos democratas, o que significa que os democratas buscam virar um número reduzido de distritos competitivos para retomar a presidência da Câmara, enquanto os republicanos tentam defender seus redutos e conquistar distritos moderados.
  • Senado Federal: Com mandatos escalonados de seis anos, 35 das 100 cadeiras estão em disputa neste ciclo. A composição pré-eleitoral registrava 53 senadores republicanos contra 45 democratas e dois independentes alinhados à oposição. Para conquistar a maioria no Senado, a oposição democrata precisa avançar sobre estados acirrados — como Texas, Ohio, Maine e Iowa — ao mesmo tempo em que defende cadeiras decisivas em estados como Geórgia, Michigan e New Hampshire.
  • Governos Estaduais: As disputas pelo Executivo em 36 estados também desempenham papel central na política norte-americana, uma vez que os governadores eleitos terão influência direta na administração estadual e no cenário político que antecederá a sucessão presidencial de 2028.

Governabilidade e o papel de “Sr. Veto”

O desfecho das urnas determinará a capacidade de Donald Trump de aprovar projetos de lei, pacotes orçamentários e medidas estruturais até o fim de seu mandato. Nas últimas semanas, o presidente percorreu diversos estados — incluindo redutos republicanos tradicionais como o Texas — realizando comícios para mobilizar sua base eleitoral. Em discursos de campanha, chegou a prometer o pagamento de US$ 5 mil para cada cidadão norte-americano caso os republicanos mantivessem o controle das duas Casas e anunciou recompensas financeiras para denúncias de eventuais irregularidades eleitorais.

Por outro lado, a conquista de ao menos uma das Casas do Congresso pelos democratas instauraria um cenário de governo dividido. Segundo análises destacadas pelo g1, uma maioria democrata abriria caminho para o bloqueio de pautas do Executivo e para a criação de comissões parlamentares de investigação sobre a administração federal. Diante do risco de derrota legislativa, o próprio Trump antecipou que pretende recorrer amplamente ao poder presidencial de barrar legislações aprovadas pela oposição, chegando a declarar que assumiria o papel de “Sr. Veto”. Ainda assim, especialistas apontam que um eventual processo de impeachment com afastamento definitivo permaneceria improvável, pois exigiria o apoio de dois terços do Senado.

Mobilização nas urnas e regras de apuração

Um dos destaques deste ciclo eleitoral é o expressivo engajamento no voto antecipado e por correspondência, modalidades amplamente utilizadas nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório. Milhões de eleitores enviaram suas cédulas ou compareceram a postos de votação antes mesmo desta terça-feira — movimento que contou, de forma inédita na história recente, com o voto por correspondência do papa Leão XIV, natural de Chicago.

Como os Estados Unidos não possuem um órgão federal único que centralize a totalização dos votos (a exemplo do Tribunal Superior Eleitoral no Brasil), a apuração e a posterior certificação dos resultados são conduzidas de forma descentralizada pelas autoridades eleitorais de cada estado e condado. Conforme explica a cobertura da CNN Brasil e do g1, essa estrutura faz com que o ritmo da contagem varie pelo país: em disputas muito acirradas ou em estados com grande volume de cédulas enviadas pelo correio, a confirmação oficial dos vencedores pode levar vários dias.

Para acompanhar a totalização oficial e verificar os resultados certificados de cada estado à medida que a apuração avança, o eleitor ou leitor pode consultar diretamente os portais das Secretarias de Estado (Secretary of State) ou os conselhos eleitorais de cada jurisdição estadual norte-americana. Os parlamentares eleitos neste pleito tomarão posse no dia 3 de janeiro de 2027, dando início aos trabalhos do 120º Congresso dos Estados Unidos.

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