OAB-MT diz que condenação de executor é primeiro passo e cobra punição de todos os envolvidos

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) reafirmou a cobrança para que todos os envolvidos no assassinato do advogado e ex-presidente da instituição, Renato Nery, sejam identificados e responsabilizados pela Justiça. O posicionamento foi divulgado após o primeiro julgamento do caso, que resultou na condenação do marceneiro Alex Queiroz Silva, apontado como executor do crime.
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (16), a entidade destacou que, dois anos após a morte de Renato Nery, o início da responsabilização dos autores representa um avanço, mas ressaltou que o processo só estará concluído quando todos os envolvidos responderem pelo assassinato.
“A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), dois anos após o assassinato do seu ex-presidente, Renato Nery, com o início da responsabilização dos autores do crime, reafirma a sua firme posição de cobrança para que todos os envolvidos neste acontecimento, que abalou e entristeceu a advocacia de Mato Grosso, sejam efetivamente identificados e responsabilizados”, afirmou a instituição.
A OAB-MT informou ainda que continuará acompanhando o andamento do processo e espera que os demais acusados sejam submetidos à Justiça.
Primeiro julgamento termina com condenação
A manifestação da entidade ocorreu após o primeiro julgamento relacionado ao assassinato. O marceneiro Alex Queiroz Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá a 33 anos e 10 meses de prisão.
Ele foi apontado pelo Ministério Público como o responsável por executar Renato Nery, morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.
Durante o julgamento, Alex confessou ter efetuado os disparos contra o advogado, mas negou participação dos demais denunciados e afirmou que não conhecia os supostos mandantes do crime.
Os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado, organização criminosa e fraude processual. O réu foi absolvido apenas da acusação de abuso de autoridade.
Investigação aponta possível crime de mando
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso, o assassinato teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Atlântida, localizada em Novo São Joaquim, avaliada em aproximadamente R$ 70 milhões.
A acusação sustenta que Renato Nery teria contrariado interesses econômicos durante a disputa e que o crime teria sido planejado mediante pagamento de cerca de R$ 200 mil.
Os produtores rurais Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi são apontados pelo Ministério Público como supostos mandantes do homicídio. Também respondem ao processo os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, apontados como participantes da articulação da execução.
Todos os acusados ainda terão suas responsabilidades analisadas pela Justiça.
Caso segue para novas etapas
Com a condenação do primeiro réu, o processo entra em uma nova fase. Os demais denunciados permanecem aguardando julgamento pelo Tribunal do Júri.
Para a OAB-MT, a conclusão do caso depende da responsabilização de todos os envolvidos na morte do advogado, que teve forte repercussão entre a advocacia e o meio jurídico de Mato Grosso.
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