Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Pivetta associa campanha de Lúdio à corrupção do VLT e diz que secretário deixou audiência por não poder revelar "o que aconteceu"

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (14) que o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), candidato à Prefeitura de Cuiabá nas eleições de 2012, "possivelmente" utilizou recursos provenientes do esquema de corrupção investigado nas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) durante a campanha eleitoral. A declaração foi dada um dia após o secretário de Estado de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, abandonar uma audiência pública na Assembleia Legislativa alegando que havia assuntos sobre o antigo modal que preferia não comentar.

Sem apresentar provas que relacionem a campanha do parlamentar aos recursos desviados, Pivetta afirmou que o desconforto demonstrado por Marcelo durante a audiência ocorreu justamente porque o secretário evitou abordar episódios ligados ao escândalo do VLT, obra iniciada na gestão do ex-governador Silval Barbosa e marcada por investigações, delações premiadas e confissões de pagamento de propina.

"O que o Marcelo queria dizer é que teve eleição em 2012 e que o candidato do Silval Barbosa, em 2012 [Lúdio], possivelmente tenha usado recursos também da corrupção do VLT. É isso que o Marcelo queria dizer ontem", declarou.

Na sequência, o governador voltou a relacionar a disputa eleitoral daquele ano ao período em que as obras do VLT eram executadas.

"Eu estou falando que 2012 teve eleição e foi exatamente no tempo em que o VLT estava sendo assaltado. E naquela eleição, o candidato a prefeito de Cuiabá foi apoiado pelo então governador Silval Barbosa. Procurem tirar as conclusões de vocês."

Defesa de Marcelo após audiência

As declarações foram feitas em defesa do secretário Marcelo de Oliveira, que na segunda-feira (13) deixou uma audiência pública convocada por Lúdio Cabral para prestar esclarecimentos sobre o andamento das obras do BRT (Bus Rapid Transit), modal que substituiu o VLT em Cuiabá e Várzea Grande.

Durante a sessão, Marcelo afirmou que gostaria de falar sobre diversos fatos envolvendo o antigo projeto, mas preferiu não fazê-lo.

"Às vezes, a gente tem vontade de falar as coisas e não consegue falar. Isso vai me infartar", disse o secretário antes de deixar a audiência.

Segundo Pivetta, foi justamente o histórico de corrupção envolvendo o VLT que motivou a reação do auxiliar.

"Todos sabemos que os veículos foram adquiridos antes mesmo de fazer os trilhos, o que é uma inversão completamente estranha. Depois houve delação e confissão de corrupção, de todo tipo de corrupção. Às vezes, a gente tem vontade de falar as coisas e não consegue falar. Foi isso que levou o Marcelo a se ausentar e eu acho que ele deveria ter falado."

Contexto da eleição de 2012

Na eleição municipal de 2012, Lúdio Cabral disputou a Prefeitura de Cuiabá com o apoio do então governador Silval Barbosa. O petista chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Mauro Mendes, que retornaria anos depois ao comando do Palácio Paiaguás como governador de Mato Grosso.

Foi justamente essa ligação política entre Lúdio e Silval que Pivetta utilizou para fazer a associação entre a campanha eleitoral e o esquema de corrupção investigado nas obras do VLT.

Escândalo do VLT

O VLT começou a ser implantado para atender à Copa do Mundo de 2014 e consumiu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos. As obras nunca foram concluídas e o projeto tornou-se alvo de investigações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual, que apontaram pagamento de propinas e irregularidades nos contratos firmados para implantação do modal.

Em acordo de colaboração premiada firmado com a Justiça, o ex-governador Silval Barbosa confessou ter participado de um esquema de corrupção durante sua gestão e afirmou que recebeu R$ 18 milhões em propina de empresas integrantes do Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande. Segundo ele, o dinheiro foi utilizado para quitar dívidas da campanha ao Governo do Estado em 2010.

Em 2020, o então governador Mauro Mendes (União Brasil) decidiu encerrar definitivamente o projeto do VLT e substituí-lo pelo BRT, alegando inviabilidade técnica e financeira para a conclusão do empreendimento.

Audiência discutia obras do BRT

A audiência pública realizada na Assembleia Legislativa foi convocada por Lúdio Cabral para que a Secretaria de Estado de Infraestrutura apresentasse informações sobre o cronograma, os custos e a execução das obras do BRT.

Durante os trabalhos, Marcelo de Oliveira defendeu a condução do projeto, afirmou que o Estado adota critérios rigorosos na fiscalização dos contratos e criticou comparações entre o BRT e o antigo VLT. Pouco depois, alegando forte desgaste emocional, deixou a sessão antes do encerramento, enquanto técnicos da pasta permaneceram para responder aos questionamentos dos deputados.

A reportagem procurou o deputado Lúdio Cabral para comentar as declarações de Otaviano Pivetta. Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

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