Pivetta rebate Lula sobre VLT e diz que troca por BRT foi decisão técnica em MT

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), rebateu nesta sexta-feira (17) as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a substituição do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo sistema de Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) na região metropolitana de Cuiabá.
A substituição do VLT pelo BRT foi definida em 2020, durante a gestão do então governador Mauro Mendes (União), quando Pivetta ocupava o cargo de vice-governador.
A declaração ocorre após Lula afirmar, durante agenda em Salvador nesta semana, que o projeto em Mato Grosso ficou paralisado. Lula classificou a interrupção de obras por mudança de gestão como um problema recorrente no país e chegou a chamar o govenador irresponsável.
“O trem na Bahia está funcionando, enquanto nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer coisa está funcionando em Cuiabá, porque não foi feito. É a irresponsabilidade de alguém deixar de fazer uma obra, porque não foi ele que planejou, porque não foi ele que projetou, porque não foi ele que deu ordem de serviço, disse o presidente.
Em resposta, Pivetta criticou o posicionamento e afirmou que a decisão pela troca do modal foi baseada em critérios técnicos e de viabilidade.
“Com todo o respeito ao presidente da República, acredito que ele tem pouco conhecimento em transporte coletivo e, muito menos, em avaliação de modais e custos de transporte”, afirmou.
Segundo o atual chefe do Executivo estadual, o modelo do VLT foi considerado inviável e com falhas estruturais desde a sua concepção.
“O projeto era completamente inviável. Começou de forma equivocada, com compra de equipamentos antes mesmo da execução da infraestrutura”, disse.
Pivetta também afirmou que a decisão foi apresentada à população da Baixada Cuiabana à época, como alternativa para garantir a implantação de um sistema de transporte mais eficiente.
Críticas ao modelo anterior
Durante a entrevista, o governador voltou a criticar a condução do projeto do VLT, iniciado anos antes e que não foi concluído.
Segundo ele, problemas de planejamento e execução comprometeram a viabilidade do sistema, o que levou à mudança para o BRT.
“O resultado foi um sistema que não avançou e gerou prejuízos. Agora, estamos trabalhando para entregar um transporte coletivo eficiente, moderno e acessível à população”, declarou.
Histórico
As obras do VLT em Cuiabá foram iniciadas para a Copa do Mundo de 2014, durante a gestão de Silval Barbosa, e foram paralisadas no mesmo ano. O projeto enfrentou entraves judiciais e investigações ao longo dos anos seguintes.
Na gestão de Pedro Taques, houve tentativas de retomada, mas o contrato acabou rompido após desdobramentos de investigações.
Em 2019, já sob o governo de Mauro Mendes, foi anunciada a substituição do VLT pelo BRT como solução para a mobilidade urbana na capital.
As obras do BRT seguem em andamento e ainda não foram concluídas. As intervenções em vias da região central de Cuiabá têm impactado o trânsito e a rotina de moradores e comerciantes.
Atualmente, a capital não conta com sistema de transporte de alta capacidade em operação. Os ônibus que operam na cidade estão sucateados e lotação em horários de picoe uma das principais reclamações dos usuários do transporte público.
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