Pivetta confirma saída de Fábio Garcia da chapa de reeleição e nega impacto no grupo político após ação da PF

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confirmou nesta terça-feira (11) a saída do deputado federal Fábio Garcia (União) da disputa pela vice-governadoria em sua chapa à reeleição. A decisão foi tomada após uma série de reuniões entre as principais lideranças do grupo governista, em meio aos desdobramentos da Operação Heritage, da Polícia Federal, que teve Garcia, o ex-governador Mauro Mendes (União) e outras pessoas ligados ao grupo como alvos.
Durante coletiva de imprensa no Palácio Paiaguás, Pivetta afirmou que a mudança não representa um rompimento dentro da aliança e classificou a decisão como uma medida tomada de forma consensual entre os aliados.
O governador também declarou que mantém Mauro Mendes como seu principal candidato ao Senado e citou a ex-senadora Margareth Buzetti como segunda opção para a disputa.
“Eu não posso precisar se tem dano ou não, porque parece que a oposição tirou todo o proveito possível de uma grande especulação que a gente não sabe o que tem de verdade nisso. Então, eu continuo confiando no meu grupo”, afirmou Pivetta.
Na sequência, o governador reforçou que a mudança na composição da chapa não altera o projeto político construído pelo grupo.
“Eu continuo tendo como meu candidato a senador, primeiro, Mauro Mendes, segundo, a Margarete. E nós vamos trabalhar para vencer essa eleição, porque a obra, o modelo de gestão que nós implementamos em Mato Grosso continua. Nós vamos aperfeiçoando esse modelo”, declarou.
Operação Heritage influenciou decisão
Fábio Garcia estava definido como candidato a vice de Pivetta após o grupo político de Mauro Mendes articular a composição que levou o União Brasil a apoiar a candidatura do governador à reeleição.
A escolha passou a ser reavaliada depois da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6). A investigação apura suspeitas relacionadas a um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi durante a gestão de Mauro Mendes.
Garcia está entre os investigados na operação e nega envolvimento em irregularidades.
Pivetta afirmou que ficou triste com a operação e disse acreditar na inocência das pessoas que conhece e que foram citadas na investigação.
“Eu não tenho como não estar triste diante do que aconteceu. Estou triste. Estou triste porque eu conheço as pessoas que foram citadas aí, muitos dos que eu conheço. Tenho certeza que são inocentes. O tempo vai mostrar isso. E eles vão ter que se defender”, declarou.
O governador também criticou o momento em que a operação foi deflagrada, por coincidir com o período de articulação das chapas para as eleições deste ano.
“Infelizmente, essa operação veio em um momento, na minha opinião, inoportuno, no tempo da política, e misturou tudo. Então, eu estou triste pelos meus amigos, pelas pessoas que eu confio, que eu tenho certeza”, afirmou.
Pivetta lembrou ainda que já foi alvo de acusações e destacou a dificuldade provocada por situações dessa natureza.
“Eu já fui vítima de calúnia, já fui vítima, provei minha inocência. É muito triste, é muito ruim”, disse.
Pivetta nega conflito dentro do grupo
Durante a coletiva, o governador também rejeitou relatos de que as reuniões realizadas nos últimos dias para decidir a permanência de Garcia tenham sido marcadas por discussões ou ameaça de rompimento entre as lideranças.
Segundo Pivetta, a decisão foi construída com a participação de integrantes dos partidos que compõem a base.
“Em nenhum momento ninguém levantou a voz, todos, todos, desse baque Pradalona, Capmax, ajudaram para a gente chegar nesse resultado. Então, houve o esforço de todos os partidos da base, de todas as lideranças que nos apoiam”, afirmou.
O governador classificou a saída de Garcia como uma decisão tomada de forma tranquila e afirmou que a mudança não altera os objetivos do grupo para a eleição.
“Então, é uma decisão serena, do fato também. É um momento de dar um passo atrás para percorrer o mesmo caminho, com os mesmos objetivos que nós queremos, de servir Mato Grosso, continuar implementando esse modelo de gestão de resultados que deu certo”, declarou.
Pivetta também destacou a continuidade do projeto iniciado durante a gestão de Mauro Mendes.
“Foi o Mauro Mendes que começou isso e trouxe até poucos dias. Eu estou levando a continuidade”, afirmou.
A retirada de Fábio Garcia da vaga de vice encerra, ao menos por enquanto, a composição que vinha sendo construída para a chapa de Pivetta e abre uma nova etapa de negociação para escolha do substituto. Apesar da mudança, o governador afirma que pretende manter a aliança política e o projeto eleitoral que reúne Republicanos, União Brasil e demais partidos da base.
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