Preço da novilha dispara em MT e valorização chega a 26% para bezerra em 12 meses

O preço dos animais usados para reposição do rebanho subiu em Mato Grosso na parcial de agosto, com as maiores valorizações concentradas entre as fêmeas. Segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a novilha teve alta de 4,44% no mês e chegou a R$ 11,71 por quilo, enquanto a vaca solteira avançou 4,13%, para R$ 10,94 por quilo.
O movimento acontece em um momento de maior retenção de matrizes nas propriedades. Com menos fêmeas disponíveis para comercialização e abate, a oferta diminui, enquanto produtores aumentam a procura por animais que possam ajudar na manutenção ou na recomposição dos rebanhos.
A valorização fica ainda mais evidente na comparação com agosto de 2025. A bezerra de ano acumula alta de 26,18% em 12 meses, passando de R$ 10,14 para R$ 12,80 por quilo. A novilha subiu 20,97% no mesmo período, enquanto a vaca solteira teve valorização de 18,53%.
Para o produtor que está procurando animais para formar ou renovar o plantel, o cenário significa pagar mais. Ao mesmo tempo, para quem mantém as fêmeas no campo, a valorização aumenta o peso econômico desses animais dentro da propriedade.
O mercado de reposição também avançou entre os machos. O preço médio do bezerro de sete arrobas chegou a R$ 15,82 por quilo na última semana analisada pelo Imea, alta de 2,32%. O boi magro de 12 arrobas foi cotado a R$ 13,16 por quilo, avanço de 1,76%.
Na mesma semana, o preço médio do bezerro de 210 quilos chegou a R$ 3.322,83 por cabeça, ante R$ 3.247,35 na semana anterior.
Enquanto os animais de reposição ficam mais caros, a indústria enfrenta uma pressão diferente. O boi gordo a prazo foi negociado, em média, a R$ 328,33 por arroba, alta de 3,31% na parcial de agosto. De acordo com o Imea, a oferta mais restrita em algumas regiões do estado ajudou a sustentar a valorização.
No atacado, porém, a carne não acompanhou o mesmo ritmo. A carcaça casada do boi caiu 2,09% na comparação semanal e ficou em R$ 23,95 por quilo. O cenário é atribuído à demanda interna menos aquecida.
Essa diferença entre o preço do boi e o da carne também reduziu o Equivalente Físico, indicador que relaciona o valor da carne comercializada no atacado ao custo da arroba do boi gordo. Na terceira semana de agosto, o índice ficou em 1,38%, recuo de 1,80 ponto percentual em relação ao mesmo período de julho.
Os dados de abate ajudam a explicar parte desse cenário. Em julho, Mato Grosso registrou o abate de 609,83 mil bovinos. Desse total, 346,69 mil eram machos e 263,14 mil eram fêmeas. Em junho, o estado havia abatido 301,40 mil fêmeas, indicando uma redução na participação das matrizes no abate.
Para os últimos dias de agosto, o Imea projeta maior pressão sobre os preços nos diferentes elos da cadeia, em razão da menor demanda interna característica da reta final do mês.
O cenário deixa o pecuarista diante de um mercado de reposição mais valorizado, especialmente para as fêmeas, ao mesmo tempo em que a indústria precisa lidar com a alta do boi gordo sem encontrar o mesmo espaço de valorização no mercado interno da carne.
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