O mercado do boi gordo iniciou a semana com ritmo lento de negociações e preços estáveis nesta terça-feira (24), em Mato Grosso, após um período recente de valorização. A arroba do animal é negociada, em média, entre R$ 337,00 à vista e até R$ 347,00 a prazo, dependendo da região e das condições de pagamento.
De acordo com levantamento da Scot Consultoria, o comportamento mais travado já era esperado para o início da semana. Na segunda-feira (23), parte das indústrias frigoríficas se manteve fora das compras, enquanto aquelas ativas operaram com base nos preços estabelecidos no fechamento da semana anterior.
Entre as 33 praças pecuárias monitoradas pela consultoria, 28 permaneceram com cotações inalteradas, evidenciando um cenário de estabilidade generalizada. Os poucos avanços registrados ocorreram em regiões específicas, como o Triângulo Mineiro, Dourados e Três Lagoas (MS), além do sudeste de Mato Grosso e do norte de Tocantins.
Oferta curta sustenta preços
Apesar do arrefecimento nas negociações, o mercado segue sustentado pela oferta restrita de animais prontos para abate. Esse fator continua sendo determinante para evitar recuos mais acentuados nas cotações, com relatos pontuais de negócios acima da média de referência — ainda que sem volume suficiente para alterar os indicadores oficiais.
As escalas de abate dos frigoríficos em Mato Grosso giram em torno de 11 dias, consideradas relativamente curtas, o que também contribui para a manutenção dos preços em patamar elevado.
No acumulado de março, o boi gordo já registra valorização superior a 10% no estado, refletindo um cenário de menor disponibilidade de animais terminados e maior seletividade na oferta.
Referências nacionais e impacto logístico
Nas praças paulistas de Araçatuba e Barretos, importantes referências para o mercado nacional, a arroba segue cotada a R$ 347,00 para pagamento a prazo. Segundo agentes do setor, há pressão altista no mercado, mas os custos elevados com frete têm limitado a capacidade de avanço das ofertas por parte dos compradores.
Consumo interno recua
No mercado doméstico de carne bovina, o consumo apresentou retração na última semana, o que contribuiu para o ritmo mais lento das negociações. Ainda assim, o equilíbrio entre oferta e demanda foi mantido, com estoques enxutos sendo suficientes para atender o mercado.
Alguns cortes no atacado registraram valorização, especialmente nas carcaças casadas, enquanto o boi capão manteve preços estáveis.
Exportações seguem aquecidas
Se por um lado o consumo interno desacelera, por outro, as exportações continuam sendo o principal pilar de sustentação do mercado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que, nos primeiros 15 dias úteis de março, o Brasil exportou cerca de 167 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 11.137 toneladas.
O preço médio pago por tonelada alcançou US$ 5.783,54 — o maior patamar desde outubro de 2022 — representando alta de 3% em relação ao mês anterior. Na conversão para a moeda brasileira, o valor médio ficou em R$ 30,24 por quilo, também com avanço de 3,09%, influenciado pela desvalorização cambial.
A receita acumulada no período já soma aproximadamente US$ 966 milhões, reforçando o protagonismo do mercado externo na sustentação das cotações do boi gordo.
Perspectiva
O cenário para os próximos dias aponta para manutenção da firmeza nos preços, com possível retomada gradual das negociações. A combinação entre oferta restrita, escalas curtas e exportações aquecidas deve seguir dando suporte ao mercado, mesmo diante de um consumo interno mais contido.