Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Prefeita de Várzea Grande vira alvo de investigação por suspeitas de irregularidades no DAE

FLÁVIA MORETTI

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), passou a ser investigada por suspeitas de irregularidades administrativas no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG). A apuração foi autorizada pelo desembargador Orlando Perri, da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no último dia 29 de abril.

A investigação está a cargo do Núcleo de Ações de Competência Originária, órgão vinculado ao Ministério Público de Mato Grosso responsável por apurar crimes envolvendo autoridades com foro por prerrogativa de função.

De acordo com o pedido de abertura de inquérito, há indícios da possível prática de crimes como peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas públicos no âmbito do DAE/VG.

A investigação teve início após um perito contratado pela autarquia, em agosto do ano passado, realizar auditoria técnica e apontar supostas irregularidades em documentos, sistemas internos e até em áudios considerados intimidatórios.

Segundo a decisão judicial, foram relatadas ameaças atribuídas a um assessor administrativo-financeiro do DAE, incluindo menções a resolução de conflitos por meios violentos. Também há referência a áudios atribuídos a um procurador do órgão, nos quais seriam citados possíveis esquemas de corrupção interna, pagamentos irregulares envolvendo empreiteiras e inconsistências no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS).

O documento ainda aponta que, em registros sonoros, há menção de que a prefeita teria conhecimento das supostas irregularidades e de informações relacionadas a investigações em andamento.

Durante a auditoria, o perito identificou uma série de inconsistências, como divergências entre backups de sistemas, falhas nos dados de faturamento, fragilidades estruturais e registros considerados anômalos de corte e religação de água em volume elevado e fora dos padrões operacionais.

Também foram apontados indícios da existência de “religações fantasmas”, prática que poderia estar associada ao pagamento indevido de gratificações a servidores, com potencial prejuízo aos cofres públicos.

O perito relatou ainda ter sofrido retaliações após denunciar as inconsistências. Conforme o documento, um dos servidores investigados teria sido promovido, enquanto o denunciante e outros colaboradores foram exonerados. Há também a alegação de resistência institucional, incluindo recusa no recebimento formal da denúncia pela Controladoria Interna e registro de boletim de ocorrência contra o próprio perito.

As denúncias incluem ainda suposta desestruturação administrativa no DAE, com exoneração de dezenas de terceirizados, desmonte do setor de Tecnologia da Informação e descontinuidade de sistemas auditados, o que teria dificultado o rastreamento de provas.

Em nota, a Prefeitura de Várzea Grande afirmou que a investigação não representa conclusão ou juízo de culpa e reiterou compromisso com a legalidade e a transparência.

“O Município permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários, confiante de que os fatos serão devidamente apurados dentro do devido processo legal”, diz trecho do posicionamento oficial.

O caso segue em investigação.

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