Prefeita minimiza renúncia de vice e diz que gestão segue sem impacto em Várzea Grande

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), minimizou a renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), oficializada nesta terça-feira (31), e afirmou que a saída não compromete o funcionamento da administração municipal.
A declaração foi feita em meio à repercussão do pedido formal apresentado à Câmara Municipal, que gerou forte impacto no cenário político local. Em conversa com a imprensa, a gestora adotou um tom firme e buscou afastar qualquer sinal de crise.
“A administração continua normalmente, não há prejuízo algum para o município”, afirmou.
Ao comentar a saída, Flávia destacou que a decisão não foi uma surpresa. Segundo ela, desde o período de pré-campanha, já era de conhecimento que Tião da Zaeli tinha como prioridade sua atuação na Fecomércio, o que teria contribuído para seu afastamento das funções públicas.
“Na pré-campanha, o Tião me convidou para ser candidata a prefeita, já sabendo que o foco dele era a Fecomércio. Por isso, ficou definido que eu seria a prefeita e ele o vice. Para mim, não foi nenhuma surpresa”, disse.
A prefeita reforçou que a saída do vice já era esperada dentro de sua avaliação.
“Era algo planejado e esperado por mim”, acrescentou.
Flávia também garantiu que a estrutura administrativa segue funcionando normalmente, mesmo com a vacância no cargo de vice-prefeito.
“Nosso compromisso é com a população, e isso não muda”, declarou.
Ruptura política
Questionada sobre os motivos da ruptura, a prefeita apontou falhas na articulação política como um dos principais fatores. Segundo ela, houve um acordo com o então vice-prefeito para garantir governabilidade na Câmara Municipal, que não teria sido cumprido.
De acordo com a gestora, a condução da Secretaria de Educação e do Departamento de Água e Esgoto (DAE) foi repassada ao grupo de Tião como parte desse entendimento político. No entanto, o retorno esperado no Legislativo não ocorreu.
“Entreguei a gestão da Educação e o DAE para ele, em troca da governabilidade na Câmara, o que não aconteceu em 2025. Esse é um dos acordos que não foram cumpridos”, afirmou.
A prefeita também criticou a atuação do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, a quem atribuiu dificuldades na condução administrativa.
“Quem não cumpriu foi o presidente da Casa, que dificultou em 2025 e continua dificultando”, declarou.
Diante do cenário de instabilidade política e dificuldades na aprovação de projetos, Flávia Moretti decidiu retomar o controle de áreas consideradas estratégicas. Ao longo de 2025, a gestão enfrentou embates e derrotas no Legislativo, o que impactou o andamento de pautas prioritárias.
Nos últimos meses, mudanças foram promovidas na estrutura administrativa. No DAE, o coronel Sandro Azambuja, indicado por Tião, foi substituído por Rogerinho da Dakar (União Brasil). Já na Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Igor Cunha deixou o cargo, sendo substituído por Maria Fernanda Figueiredo.
A prefeita também relembrou episódios de tensão interna durante a gestão.
“Em 2025, houve diversas discussões e divergências na forma de conduzir a administração. Um dos secretários indicados por ele, inclusive, contribuiu para que eu respondesse a uma Comissão Processante”, afirmou.
Por fim, Flávia disse que confiou ao vice-prefeito a responsabilidade pela articulação política, mas não teve o retorno esperado.
“Confiei muito no Tião ao entregar a ele a articulação com a Câmara, mas não tive essa devolutiva em 2025 e agora no início de 2026. Isso pesou nas decisões que tomei”, concluiu.
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