Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
EXECUTIVO X LEGISLATIVO

Wanderley diz que decreto de calamidade financeira em VG é reflexo de "má gestão" e falta de planejamento

Design sem nome (74)

O presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), rebateu as declarações da prefeita Flávia Moretti (PL) e afirmou que o decreto de calamidade financeira editado pela Prefeitura é consequência de "má gestão" e da falta de planejamento da administração municipal, e não de supostos entraves impostos pelo Legislativo.

A manifestação ocorre após a prefeita atribuir parte das dificuldades enfrentadas pela gestão à atuação da Câmara, afirmando que vereadores estariam travando projetos considerados importantes para o Executivo.

Wanderley negou as acusações e afirmou que os números demonstram o contrário. Segundo ele, durante o primeiro ano da atual gestão, o Legislativo aprovou praticamente todos os projetos encaminhados pela Prefeitura.

"No ano passado nós aprovamos 50 projetos que chegaram à Câmara. Seis precisaram de correção e depois foram aprovados. Até hoje apenas um projeto foi reprovado, o do ISSQN, que aumentava a alíquota de 2% para 5%. A Câmara entendeu que o empresário várzea-grandense, que gera emprego e renda, não aguenta mais pagar imposto."

O presidente também contestou o argumento de que o Executivo ficou sem condições de administrar por causa das limitações para remanejamento orçamentário. Segundo ele, a Câmara concedeu ampla autorização para movimentação de recursos.

"Ela teve 25% de remanejamento, um cheque em branco de aproximadamente R$ 550 milhões dentro de um orçamento de R$ 1,7 bilhão. Só neste ano a Câmara autorizou mais R$ 155 milhões. Depois ela pediu mais 20%, cerca de R$ 407 milhões."

Ainda de acordo com Wanderley, ao analisar a Lei Orçamentária de 2026, os vereadores aprovaram um limite de 5% para remanejamento, percentual que, segundo ele, representa aproximadamente R$ 112 milhões.

"Dos 20 vereadores presentes, 19 votaram favoravelmente aos 5% de remanejamento. O presidente nem votou."

Ao comentar o decreto de calamidade financeira, Wanderley afirmou que a medida causa preocupação justamente porque, segundo ele, a população não percebe investimentos da Prefeitura.

"Nós assustamos porque é uma gestão que só está pagando folha. Não tem um tapa-buraco, o pronto-socorro não está funcionando adequadamente por falta de medicamentos, a cidade está suja e está faltando tudo."

Na avaliação do presidente da Câmara, a situação enfrentada pelo município decorre de problemas administrativos.

"É má gestão. Não teve planejamento. Eu nunca vi isso na minha vida. Nasci e me criei em Várzea Grande e nunca vi um decreto de calamidade financeira aqui."

Wanderley também questionou a situação financeira da Prefeitura e disse que a população precisa saber como os recursos públicos estão sendo utilizados.

"Também estou assustado. Não sei para onde está indo o dinheiro. Quero saber."

Troca de acusações

O embate entre Executivo e Legislativo se intensificou após a prefeita Flávia Moretti decretar calamidade financeira no município e afirmar que a Câmara estaria dificultando a execução da administração ao limitar remanejamentos orçamentários e atrasar a votação de projetos.

Em resposta, Wanderley Cerqueira sustenta que o Legislativo aprovou praticamente todas as matérias encaminhadas pela Prefeitura e afirma que a crise financeira não pode ser atribuída à Câmara, mas sim à condução da gestão municipal.

"Uma gestão que só paga folha, não faz tapa-buraco, deixa a cidade suja, o pronto-socorro sem medicamentos e agora decreta calamidade financeira demonstra falta de planejamento e má gestão", reforçou o presidente da Câmara.

Veja vídeo:

Relacionadas