Produção menor e consumo maior apertam mercado mundial de algodão na safra 2026/27

A produção mundial de algodão deve ser menor na safra 2026/27, enquanto o consumo tende a crescer. A nova estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgada na sexta-feira (11), aponta produção de 25,54 milhões de toneladas, queda de 3,80% em relação à safra 2025/26. Já a demanda foi estimada em 26,76 milhões de toneladas, alta de 1,48%.
Na prática, a projeção mostra que o mundo deverá consumir mais algodão do que produzir na próxima safra. A diferença chega a cerca de 1,22 milhão de toneladas, cenário que deve pressionar os estoques globais. A estimativa é de que as reservas finais recuem 7,23%, para 15,21 milhões de toneladas.
A redução da oferta é puxada principalmente por Estados Unidos, Turquia e Paquistão. Nos Estados Unidos, a produção deve cair 5,01%, para 2,87 milhões de toneladas, em razão da menor produtividade projetada.
Entre os principais produtores, a Índia aparece na direção contrária. A produção do país deve crescer 0,84%, chegando a 5,23 milhões de toneladas. O avanço ajuda a reduzir o impacto da queda registrada nos demais grandes produtores.
No comércio internacional, as exportações de algodão devem alcançar 9,63 milhões de toneladas na safra 2026/27, acompanhando a necessidade de abastecimento dos mercados.
Mato Grosso encerra colheita
Em Mato Grosso, a colheita do algodão chegou a 100% na semana de 7 a 11 de setembro, segundo dados do Imea. O estado encerra, assim, a retirada da produção do campo enquanto a comercialização da nova safra ainda avança em ritmo mais lento.
Até setembro, 39,94% da pluma da safra 2026/27 havia sido comercializada. No mesmo período da safra 2025/26, esse percentual era de 75,52%.
A área estimada para o algodão 2025/26 em Mato Grosso está em 1,37 milhão de hectares, com produtividade projetada em 323,37 arrobas por hectare.
Pluma e caroço
No mercado mato-grossense, a pluma foi cotada a R$ 135,98 por arroba na sexta-feira (11). Durante a semana, o preço passou de R$ 137,84/@, na segunda-feira, para o valor registrado no encerramento do período.
Em Nova York, o contrato de algodão para dezembro de 2026 fechou a semana em US$ 86,06 por libra-peso, enquanto o vencimento para julho de 2027 terminou em US$ 89,52/lb.
A paridade de dezembro de 2026 em Mato Grosso ficou em R$ 144,25/@, enquanto a de julho de 2027 foi de R$ 156,13/@.
Outro produto da cadeia também registrou queda. O caroço de algodão disponível em Mato Grosso passou de R$ 793,88 por tonelada, na semana anterior, para R$ 774,54/t entre 7 e 11 de setembro.
Em Sapezal, o preço ficou em R$ 770,00/t, enquanto em Campo Verde chegou a R$ 800,00/t.
Com a colheita concluída em Mato Grosso e uma projeção mundial de consumo acima da produção, o comportamento da oferta e dos estoques internacionais passa a ser um dos principais pontos de atenção para o mercado de algodão na safra 2026/27.
Relacionadas

Giro do Boi na B3: Confira os ajustes futuros da arroba e a referência para Mato Grosso hoje (04/11)

Consumo doméstico deve frear disparada da arroba em 2027, apesar de oferta restrita, projeta Rabobank

Puxada por Mato Grosso, produção brasileira de soja deve bater recorde de 184,95 milhões de toneladas, projeta StoneX

Brasil abre mercado em Bangladesh e Colômbia para pecuária

Demanda aquecida impulsiona trigo em Chicago; soja e milho recuam com avanço da colheita nos EUA

