A professora Luciene Naves Correia, de 51 anos, assassinada pelo ex-marido na segunda-feira (16), em Cuiabá, tinha uma entrevista agendada para esta quarta-feira (18) na Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso para tratar do reforço de medidas protetivas. Também estava prevista para o dia 23 uma audiência de conciliação relacionada ao conflito judicial com o ex-companheiro.
A informação foi confirmada pelas filhas da vítima, que relataram que a mãe vinha buscando apoio jurídico para ampliar a proteção contra o agressor.
Crime dentro de casa
Luciene foi morta dentro da própria residência, no bairro Osmar Cabral, nas primeiras horas da manhã. Segundo a Polícia Militar, o suspeito Paulo Neves Bispo pulou o muro do imóvel, desligou o padrão de energia elétrica e esperou a vítima no portão.
A professora foi atingida por dois disparos no tórax.
Após o crime, Paulo morreu baleado por um policial à paisana durante perseguição. De acordo com a polícia, ele seguia em direção à casa da filha mais velha da vítima.
Família relata histórico de ameaças
As filhas afirmam que insistiram para que a mãe solicitasse medida protetiva. Emmily Naves Correia Gonçalves, filha da professora, disse que chegou a estar com Luciene no dia em que o botão do pânico foi acionado.
Segundo ela, a polícia esteve no local em algumas ocasiões, mas o suspeito não foi preso porque, conforme orientação recebida pela família, a detenção só poderia ocorrer em flagrante.
Emmily relatou ainda que, em episódio anterior, o ex-marido também teria desligado a energia da residência para forçar Luciene a sair de casa — estratégia que se repetiu no dia do assassinato.
As filhas contaram que, um dia antes do crime, o suspeito teria pedido para sair com o neto. “Se a gente tivesse deixado, o que ele teria feito?”, questionou uma delas.
Vítima buscava reforçar proteção
De acordo com a família, o atendimento marcado na Defensoria fazia parte das tentativas de fortalecer a proteção judicial. A morte ocorreu antes da conclusão dessas etapas.
Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que Mato Grosso concedeu 21.346 medidas protetivas em 2025. Em 2026, já são mais de duas mil decisões desse tipo registradas no estado.