Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Promotora chama abandono da defesa de Carlinhos Bezerra de "aberração" e acusa estratégia para adiar júri; veja vídeo

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A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos classificou como uma "aberração" e uma estratégia protelatória a decisão da defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, de abandonar o plenário do Tribunal do Júri, nesta terça-feira (21), provocando o adiamento do julgamento pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian César Moreno, mortos a tiros em janeiro de 2023, em Cuiabá.

Segundo a representante do Ministério Público Estadual (MPE), os argumentos apresentados pelos advogados já haviam sido analisados e rejeitados pela Justiça, não havendo qualquer motivo para impedir a realização do júri popular.

"É um absurdo, uma aberração, uma medida protelatória. Após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento, a defesa vai arguir besteiras, nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas, tanto pelo Tribunal quanto pela juíza da Primeira Vara", afirmou.

A defesa abandonou o plenário após a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira negar um novo pedido de adiamento. Os advogados alegaram ter identificado mensagens atribuídas a Thays Machado com data posterior ao crime, sustentando uma possível quebra na cadeia de custódia das provas.

A promotora, porém, rebateu a tese e afirmou que a situação já havia sido esclarecida durante a investigação."Não procede. Conforme consta nos autos, o celular da Thays estava com diferença de três horas. É uma questão de configuração do aparelho. É um absurdo o que a defesa anuncia", disse.

Para Élide Manzini, a sucessão de recursos e pedidos apresentados pela defesa demonstra uma tentativa de impedir que o julgamento seja realizado.

"É uma estratégia para tentar postergar, suscitar outro incidente de insanidade ou qualquer outra medida para que esse julgamento não aconteça. Tudo isso já foi analisado e afastado pela Justiça."

A promotora lembrou ainda que o julgamento já havia sido adiado anteriormente, no último dia 7 de julho, após um pedido da própria defesa para análise de provas.

"Viemos preparados para o julgamento naquela oportunidade e voltamos hoje. Novamente houve outra medida protelatória", afirmou.

"Estratégia lamentável"

O promotor Vinicius Gahyva Martins também criticou a decisão dos advogados e afirmou que esse tipo de conduta tem se tornado recorrente em julgamentos de grande repercussão.

Segundo ele, alguns defensores aguardam a formação do Conselho de Sentença para abandonar o plenário e provocar a redesignação do júri, na expectativa de obter uma composição mais favorável em uma nova sessão.

"Não é o primeiro abandono de plenário, não é a primeira redesignação. São estratégias lamentáveis, que extrapolam o direito à ampla defesa e acabam arranhando a imagem do Tribunal do Júri", declarou.

O promotor destacou ainda que cabe aos jurados decidir sobre a responsabilidade criminal do empresário, mas afirmou que as provas reunidas durante a investigação são consistentes.

"Não é o promotor, o juiz ou os jurados que condenam o réu. É a própria conduta praticada por ele. As provas produzidas pela Polícia Civil são robustas e não encontramos elementos capazes de afastar essa responsabilização."

Novo julgamento

Após o abandono da defesa, a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira dissolveu o Conselho de Sentença e remarcou o julgamento para o dia 31 de julho. O empresário foi intimado a constituir novos advogados e, caso isso não ocorra, a Defensoria Pública assumirá sua defesa.

Carlinhos Bezerra é réu confesso pelos assassinatos de Thays Machado e Willian César Moreno. Conforme a denúncia do Ministério Público, o crime foi motivado pela inconformidade com o fim do relacionamento e ocorreu em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá.

Veja vídeo:

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