Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ELEIÇÕES 2026

Quem é Reinaldo Morais, o “Rei do Porco” que será vice de Wellington Fagundes

Empresário do agronegócio, Reinaldo construiu carreira no setor de suínos, disputou o Senado em 2020 e mantém proximidade com a família Bolsonaro

rei do porco

Conhecido como “Rei do Porco” por sua atuação no setor de suinocultura, Reinaldo Morais chega à disputa pelo Governo de Mato Grosso vindo de uma trajetória construída entre o agronegócio e a política. Empresário, com negócios ligados à produção de suinocultura ele já tentou uma vaga no Senado, aproximou-se do grupo político de Jair Bolsonaro e agora volta à política em uma chapa majoritária para o Governo do Estado como vice de Wellington Fagundes (PL).

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Reinaldo é empresário do setor de proteína animal e ficou conhecido pela atuação na Suinobrás, empresa ligada à produção e ao processamento de suínos. É justamente dessa atividade que surgiu o apelido pelo qual passou a ser identificado no meio político, o 'Rei do Porco'.  Ele ficou nacionalmente conhecido ao aparecer em um vídeo no ano de 2024 passando óleo ungido nos pés do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Diamantino (a 190 km de Cuiabá).

Em 2020 ele disputou a eleição suplementar para o Senado por Mato Grosso pelo PSC, realizada para preencher a vaga deixada por Selma Arruda após sua cassação. Com apoio da ex-senadora, Reinaldo recebeu 36.545 votos e terminou a disputa em décimo lugar.

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A candidatura chamou atenção também pelo patrimônio apresentado à Justiça Eleitoral. Reinaldo declarou possuir aproximadamente R$ 158 milhões em bens, entre participações empresariais, imóveis, veículos e outros ativos. Naquele momento, figurava entre os candidatos mais ricos da disputa. A tentativa de chegar ao Senado não teve sucesso, mas a campanha colocou o empresário definitivamente no ambiente político estadual.

Relação com Bolsonaro

A aproximação de Reinaldo com o grupo de Jair Bolsonaro se intensificou nos anos seguintes. Em 2021, ele recebeu integrantes da família Bolsonaro em uma unidade da Suinobrás, em Mato Grosso. Durante a eleição presidencial de 2022, passou a participar da articulação da campanha de Bolsonaro no Estado.

No mesmo período, Reinaldo se aproximou do PL, partido de Bolsonaro e de Wellington Fagundes. A filiação foi tratada dentro da legenda como uma forma de ampliar a participação do agronegócio na estrutura partidária. A relação com o grupo bolsonarista permaneceu nos anos seguintes e acabou sendo decisiva para sua entrada na atual disputa eleitoral.

Convite partiu de Michelle

Reinaldo afirmou, durante a coletiva em que seu nome foi anunciado para a vice de Wellington, que a decisão de voltar à disputa eleitoral começou com uma ligação de Michelle Bolsonaro (PL).

Segundo o empresário, ele estava em São Paulo com a esposa e os filhos quando recebeu a ligação da ex-primeira-dama.

“Eu e minha esposa estávamos viajando com os nossos filhos há duas semanas, almoçando num restaurante em São Paulo, quando, de repente, o meu telefone toca. Era a Michelle”, relatou.

De acordo com Reinaldo, Michelle disse ter conversado com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e com Wellington Fagundes antes de apresentar seu nome.

A indicação ocorreu quando o PL ainda mantinha conversas com outros possíveis candidatos a vice. Entre eles estava Marcelo Maluf, nome ligado ao Novo e que chegou a ser tratado como favorito para ocupar a vaga. O nome do médico Alencar Farina (PL) também chegou a ser cotado, porém não agradou a ala bolsonarista por ter aproximação com o PT, quando foi vice do candidato a prefeito Alexandre César, o que novamente teria causado mal estar entre os liberais.

Reinaldo afirmou que a possibilidade de candidatura não estava em seus planos naquele momento.

“Eu disse: ‘Michelle, eu não estava com essa intenção no momento’”, contou.

Segundo ele, a ex-primeira-dama respondeu que Mato Grosso teria um papel estratégico para o país, especialmente pela força do agronegócio. Michelle também teria defendido que Reinaldo poderia ajudar a aproximar grupos da direita que estavam divididos no Estado.

“Você é uma pessoa de confiança da nossa família, nós temos muita consideração por você, nós sabemos que você pode ajudar nessa pacificação, em trazer todo mundo junto”, relatou o empresário, ao reproduzir a fala atribuída a Michelle.

Foi após essa conversa, segundo Reinaldo, que ele decidiu aceitar o convite.

“Então, nesse objetivo de vir para contribuir, como um soldado, para poder servir, é que eu e minha casa nós aceitamos esse desafio”, afirmou.

A entrada de Reinaldo na chapa coloca ao lado de Wellington Fagundes um empresário sem mandato eletivo, mas com experiência anterior em eleição majoritária e trânsito junto ao grupo político de Bolsonaro.

A trajetória dos dois é distinta. Wellington está na política há décadas e exerce mandato no Senado. Reinaldo construiu sua projeção pública a partir dos negócios no setor de proteína animal e, posteriormente, passou a atuar politicamente.

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