O vereador por Cuiabá Rafael Ranalli saiu em defesa do senador Wellington Fagundes na disputa interna do Partido Liberal (PL) sobre as eleições de 2026 e rebateu publicamente a avaliação do deputado federal José Medeiros.
A divergência ocorre após José Medeiros afirmar, em entrevista recente, que a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro é para que o PL priorize a eleição ao Senado. Segundo ele, essa estratégia seria mais vantajosa para o grupo bolsonarista, mantendo Wellington Fagundes na Casa Alta e fortalecendo pautas da direita no Congresso Nacional. O parlamentar, que também se coloca como pré-candidato ao Senado, defende a concentração de forças nessa frente, alinhado ao ex-presidente.
Ranalli, no entanto, adotou um tom diferente e enfatizou que projetos políticos individuais devem ser respeitados dentro do grupo.
“Eu não concordo com esse pensamento, até porque não se pode matar o sonho dos outros, o sonho dos colegas”, afirmou em entrevista ao Veja Bem MT.
Ao justificar sua posição, o vereador destacou a viabilidade política de Wellington Fagundes e sua articulação nacional.
“Se o Wellington tem esse sonho, está em primeiro nas pesquisas para a eleição de governador... E outro fato primordial que a gente vê de Brasília, o Wellington é muito ligado ao Flávio Bolsonaro, é amigo dele, é senador junto com o Flávio. Então, é uma candidatura natural”, acrescentou.
Apesar da divergência pontual, Ranalli fez questão de reforçar que mantém apoio ao projeto político de Medeiros ao Senado, indicando que o racha é mais estratégico do que pessoal dentro do PL.
“O Medeiros tem o meu voto, tem o meu apoio, vou fazer campanha. Mas ele tem que pensar no dele”, declarou.
Na mesma linha, ele reiterou que a direita em Mato Grosso possui espaço para múltiplas candidaturas competitivas e que a decisão final deve respeitar o processo democrático interno.
“Acho que o Medeiros, sim, tem que focar na candidatura dele, tem o meu apoio da direita massiva, é o primeiro voto dos bolsonaristas, porém o Wellington tem, sim, o direito legal de concorrer ao Governo do Estado”, completou.
Racha no PL
Nos bastidores, a disputa expõe um racha crescente dentro do PL em Mato Grosso, especialmente em torno da estratégia eleitoral para 2026. De um lado, o grupo ligado ao deputado José Medeiros defende a concentração de forças na eleição ao Senado, alinhado ao discurso de fortalecimento da direita no Congresso Nacional. Do outro, aliados do senador Wellington Fagundes sustentam que a pré-candidatura ao Governo é um movimento natural, amparado tanto por articulações internas quanto pelo desempenho em pesquisas.
A divergência ganhou força após declarações públicas e movimentações recentes, evidenciando uma disputa por protagonismo dentro da sigla, ainda que lideranças tentem manter o discurso de unidade para evitar desgastes antecipados.
Esse cenário já é visto por analistas e integrantes do próprio partido como um fator que pode impactar a pré-candidatura de Fagundes, sobretudo pela dificuldade de alinhamento interno. Há sinais de resistência entre parte das lideranças, que ainda não demonstram apoio explícito ao projeto, além do receio de “fogo amigo” ao longo da campanha, o que tende a fragilizar a estrutura política.
Outro ponto de tensão envolve articulações de Fagundes fora do eixo direto do partido, especialmente a aproximação com o MDB, partido de Janaina Riva, que é nora de Fagundes, o que gerou reações negativas ampliando os ruídos internos. Esse movimento pode dificultar a construção de um palanque unificado.
Apesar disso, o senador tem buscado minimizar o conflito e reforçar o discurso de unidade, citando inclusive apelos do ex-presidente Jair Bolsonaro para que o grupo permaneça coeso em 2026. O racha não inviabiliza as pré-candidaturas dentro do partido, mas pode enfraquecê-las politicamente, sobretudo se o PL não conseguir alinhar estratégia, alianças e discurso até o período das convenções.