Rebanho de fêmeas de Mato Grosso atinge menor nível desde 2014

O rebanho de fêmeas bovinas de Mato Grosso voltou a encolher em 2026 e acendeu um alerta para a oferta de bezerros nos próximos anos. Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base na campanha de atualização do estoque de rebanho do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), mostram que o número de fêmeas com mais de 24 meses caiu para 12,14 milhões de cabeças, o menor patamar registrado no Estado desde 2014.
O levantamento aponta que o efetivo de fêmeas adultas recuou 1,83% em relação a 2025. Já o grupo de animais com até 24 meses somou 7,63 milhões de cabeças, queda de 3,60% no mesmo período. No total, o rebanho de fêmeas registrou retração de 2,52%, enquanto o número de machos permaneceu praticamente estável.
Segundo o Imea, os números refletem os efeitos do intenso descarte de matrizes observado nos ciclos pecuários anteriores. A redução da base de fêmeas reprodutivas indica que a recomposição do rebanho deverá ocorrer de forma gradual, limitando a oferta de bezerros nos próximos anos e dando sustentação ao mercado de reposição.
Como consequência desse movimento, o rebanho bovino de Mato Grosso passou a totalizar 31,12 milhões de cabeças em 2026, uma redução de 1,62% em relação ao ano anterior.
Embora o descarte de matrizes tenha perdido intensidade nos últimos meses, a recuperação do rebanho ocorre de forma lenta. No ciclo pecuário, a retenção de fêmeas para reprodução leva tempo para se refletir na produção de bezerros, o que faz com que os efeitos do aumento dos abates continuem sendo percebidos mesmo após a mudança de comportamento dos produtores.
Para o mercado, o levantamento reforça que a oferta de animais de reposição deverá permanecer mais restrita nos próximos ciclos. Mato Grosso concentra o maior rebanho bovino do país e, por isso, os movimentos registrados no Estado costumam antecipar tendências para a pecuária brasileira.
Boi gordo recua com maior oferta de animais terminados
Enquanto os dados estruturais apontam para uma menor disponibilidade de matrizes, o mercado físico continua refletindo a oferta de bovinos prontos para o abate.
Na última semana, a arroba do boi gordo em Mato Grosso foi cotada, em média, a R$ 315,84, queda de 2,49% em relação à semana anterior. De acordo com o Imea, o recuo foi provocado pela oferta confortável de animais terminados, fator que aumentou o poder de negociação das indústrias frigoríficas.
A vaca solteira de 10,5 arrobas acompanhou o movimento e foi negociada a R$ 10,42 por quilo, baixa semanal de 2,14%, diante da maior disponibilidade de fêmeas para abate.
Na contramão, a ponta de agulha bovina registrou valorização de 3,61% na semana, alcançando R$ 21,55 por quilo. Segundo o instituto, o avanço foi sustentado pela melhora da demanda no mercado interno mato-grossense.
Perspectiva
Os dados divulgados pelo Imea mostram um mercado influenciado por dois movimentos distintos. No curto prazo, a maior oferta de animais terminados continua pressionando as cotações da arroba. No médio prazo, porém, a redução do rebanho de matrizes tende a limitar a produção de bezerros, tornando mais lenta a recomposição do plantel e mantendo o mercado de reposição sustentado.
O comportamento do rebanho mato-grossense é acompanhado de perto pelo setor por reunir o maior plantel bovino do Brasil e servir como referência para a evolução do ciclo pecuário nacional. A continuidade da redução das fêmeas reprodutivas indica que os reflexos do elevado descarte de matrizes ainda deverão ser sentidos pelo mercado nos próximos anos.
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