‘Rei do Porco’ volta ao radar do PL para vice de Wellington após crise na chapa
Reinaldo Morais surge como alternativa diante do desgaste provocado pelas mudanças na composição; partido ainda não oficializou o nome

A definição do candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL) voltou a gerar movimentações internas no Partido Liberal em Mato Grosso. Após mudanças na composição e resistência em torno de nomes apresentados anteriormente, o empresário Reinaldo Morais, conhecido como “Rei do Porco”, voltou a ser citado nos bastidores como uma alternativa para ocupar a vaga.
A possibilidade surge em meio ao desgaste provocado pelas mudanças na formação da chapa. Inicialmente, o empresário Marcelo Maluf (Novo) era apontado como escolhido para a vice. A indicação, segundo as articulações, buscava fortalecer a composição com o Novo.
Posteriormente, Wellington passou a trabalhar com o nome do médico Alencar Farina (PL) para a posição. A mudança provocou reação de Maluf e abriu uma nova frente de discussão dentro do grupo.
O nome de Farina também passou a enfrentar resistência entre setores mais alinhados ao bolsonarismo por causa de seu histórico eleitoral. O médico já disputou eleições pelo PT, incluindo a condição de candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, em 2004. Também concorreu a cargos proporcionais e majoritários em eleições anteriores.
A trajetória política de Farina passou a ser utilizada por críticos para questionar sua identificação com a direita, reacendendo dentro do PL o debate sobre o perfil ideológico que deverá ter a chapa de Wellington.
É nesse cenário que Reinaldo Morais voltou a aparecer nas conversas internas.
Ligação com Wellington e o agronegócio
Empresário ligado ao setor de produção de suínos, Morais construiu sua projeção pública a partir do agronegócio e ficou conhecido em Mato Grosso como “Rei do Porco”.
Ele disputou a eleição suplementar para o Senado em 2020 pelo PSC. Na ocasião, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 158 milhões, segundo registros divulgados durante aquela campanha.
Dois anos depois, Morais ingressou no PL. A filiação ocorreu a convite de Wellington Fagundes, que na época presidia o partido em Mato Grosso. A chegada ao partido foi apresentada como parte do projeto de fortalecimento da legenda no Estado e de aproximação com o setor produtivo.
Naquele período, Morais também participou de agendas políticas pelo interior de Mato Grosso ao lado de Wellington e esteve à frente da chamada Caravana Mato Grosso Verde e Amarelo, movimento voltado à mobilização de apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro.
O empresário, portanto, já possui uma relação política construída com Wellington e trânsito dentro do grupo que se identifica com o campo bolsonarista.
Alternativa para reduzir tensão
A eventual escolha de Morais seria uma tentativa de encontrar um nome que reúna dois segmentos considerados importantes para a candidatura: o agronegócio e a base política mais identificada com a direita.
Ao contrário de uma composição partidária que poderia ampliar as negociações com outras legendas, a escolha de um nome do próprio PL também permitiria a Wellington buscar uma solução interna para a vaga.
Apesar das movimentações, não há confirmação oficial de que Reinaldo Morais será o vice. O nome aparece, neste momento, como uma possibilidade discutida nos bastidores enquanto o grupo tenta resolver as divergências provocadas pelas mudanças anteriores.
A indefinição mantém aberta a composição da chapa majoritária e evidencia a dificuldade do PL em conciliar alianças partidárias, interesses internos e o perfil ideológico desejado para a disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026.
Relacionadas

Flávio Bolsonaro pede que MT eleja Medeiros ao Senado e defende impeachment de ministros do STF

Balbinotti diz que Wellington não foi convidado para lançamento da campanha de Medeiros; veja vídeo

Mendes lidera pesquisa para o Senado em MT com 52,3%; Janaina tem 32,4% e Medeiros, 23,1%

Medeiros acusa Moraes de interferência eleitoral após decisão sobre propaganda

Thiago Silva reúne cerca de mil pessoas e recebe apoio em Várzea Grande

