Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
ELEIÇÕES 2026

‘Rei do Porco’ volta ao radar do PL para vice de Wellington após crise na chapa

Reinaldo Morais surge como alternativa diante do desgaste provocado pelas mudanças na composição; partido ainda não oficializou o nome

Design sem nome (10)

A definição do candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL) voltou a gerar movimentações internas no Partido Liberal em Mato Grosso. Após mudanças na composição e resistência em torno de nomes apresentados anteriormente, o empresário Reinaldo Morais, conhecido como “Rei do Porco”, voltou a ser citado nos bastidores como uma alternativa para ocupar a vaga.

A possibilidade surge em meio ao desgaste provocado pelas mudanças na formação da chapa. Inicialmente, o empresário Marcelo Maluf (Novo) era apontado como escolhido para a vice. A indicação, segundo as articulações, buscava fortalecer a composição com o Novo.

Posteriormente, Wellington passou a trabalhar com o nome do médico Alencar Farina (PL) para a posição. A mudança provocou reação de Maluf e abriu uma nova frente de discussão dentro do grupo.

O nome de Farina também passou a enfrentar resistência entre setores mais alinhados ao bolsonarismo por causa de seu histórico eleitoral. O médico já disputou eleições pelo PT, incluindo a condição de candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, em 2004. Também concorreu a cargos proporcionais e majoritários em eleições anteriores.

A trajetória política de Farina passou a ser utilizada por críticos para questionar sua identificação com a direita, reacendendo dentro do PL o debate sobre o perfil ideológico que deverá ter a chapa de Wellington.

É nesse cenário que Reinaldo Morais voltou a aparecer nas conversas internas.

Ligação com Wellington e o agronegócio

Empresário ligado ao setor de produção de suínos, Morais construiu sua projeção pública a partir do agronegócio e ficou conhecido em Mato Grosso como “Rei do Porco”.

Ele disputou a eleição suplementar para o Senado em 2020 pelo PSC. Na ocasião, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 158 milhões, segundo registros divulgados durante aquela campanha.

Dois anos depois, Morais ingressou no PL. A filiação ocorreu a convite de Wellington Fagundes, que na época presidia o partido em Mato Grosso. A chegada ao partido foi apresentada como parte do projeto de fortalecimento da legenda no Estado e de aproximação com o setor produtivo.

Naquele período, Morais também participou de agendas políticas pelo interior de Mato Grosso ao lado de Wellington e esteve à frente da chamada Caravana Mato Grosso Verde e Amarelo, movimento voltado à mobilização de apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro.

O empresário, portanto, já possui uma relação política construída com Wellington e trânsito dentro do grupo que se identifica com o campo bolsonarista.

Alternativa para reduzir tensão

A eventual escolha de Morais seria uma tentativa de encontrar um nome que reúna dois segmentos considerados importantes para a candidatura: o agronegócio e a base política mais identificada com a direita.

Ao contrário de uma composição partidária que poderia ampliar as negociações com outras legendas, a escolha de um nome do próprio PL também permitiria a Wellington buscar uma solução interna para a vaga.

Apesar das movimentações, não há confirmação oficial de que Reinaldo Morais será o vice. O nome aparece, neste momento, como uma possibilidade discutida nos bastidores enquanto o grupo tenta resolver as divergências provocadas pelas mudanças anteriores.

A indefinição mantém aberta a composição da chapa majoritária e evidencia a dificuldade do PL em conciliar alianças partidárias, interesses internos e o perfil ideológico desejado para a disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026.

Relacionadas