Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
PECUÁRIA

Retenção de fêmeas e aumento no abate de machos marcam virada do ciclo pecuário em MT

agro/ pecuária

O abate de fêmeas bovinas em Mato Grosso caiu 8,81% em maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, refletindo um movimento de retenção de matrizes nas propriedades rurais. Os dados foram divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com base em informações do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT).

De acordo com o levantamento, 303,53 mil fêmeas foram abatidas no mês passado. O volume representa uma queda significativa em relação a maio de 2025 e contribuiu para reduzir a participação das fêmeas no total de animais enviados aos frigoríficos.

Há um ano, elas respondiam por 54,39% dos abates realizados no estado. Em maio deste ano, a participação recuou para 49,69%, uma redução de 4,7 pontos percentuais. Segundo o Imea, o resultado está diretamente relacionado à menor oferta de vacas com mais de 24 meses para abate.

Enquanto as fêmeas perderam espaço, o abate de machos avançou. O volume chegou a 307,27 mil cabeças, alta de 10,10% na comparação anual. Com isso, os machos passaram a representar a maior parcela dos animais abatidos em Mato Grosso pela primeira vez em 2026.

No total, os frigoríficos mato-grossenses abateram 610,8 mil bovinos em maio, aumento de 4,08% em relação a abril. Apesar da alta mensal, o volume geral ficou praticamente estável na comparação com maio do ano passado, registrando leve retração de 0,19%.

Sinalização do mercado

Na avaliação do Imea, a redução do abate de fêmeas reforça a continuidade de um movimento observado nos últimos meses, marcado pela retenção de matrizes pelos pecuaristas.

Essa estratégia costuma ocorrer quando os produtores buscam ampliar ou recompor seus rebanhos, preservando vacas aptas à reprodução para aumentar a produção de bezerros nos ciclos seguintes. O comportamento é considerado um dos principais indicadores da fase de reconstrução do rebanho bovino.

Com menos fêmeas sendo destinadas aos frigoríficos, a expectativa é de que a participação dessa categoria nos abates permaneça em patamares menores ao longo dos próximos meses.

Exportações batem recorde

Paralelamente ao movimento observado dentro das fazendas, Mato Grosso segue registrando forte desempenho no mercado internacional de carne bovina.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o estado exportou 87,1 mil toneladas equivalentes carcaça (TEC) em maio de 2026. O volume representa crescimento de 3,55% em relação a abril e de 32,27% na comparação com maio de 2025.

O faturamento também alcançou nível recorde para o mês, somando US$ 440,72 milhões. O valor é 7,83% superior ao registrado em abril e 64,53% maior que o obtido no mesmo período do ano passado.

De acordo com o Imea, tanto o volume embarcado quanto a receita obtida foram os maiores registrados em 2026 e estabeleceram novos recordes para os meses de maio.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina mato-grossense, concentrando 60,43% das exportações realizadas no período. Outro fator que contribuiu para o resultado foi a valorização do produto no mercado externo, com o preço médio atingindo US$ 5.060,12 por tonelada equivalente carcaça.

Atenção para o segundo semestre

Apesar do cenário positivo, o instituto alerta para um fator que pode influenciar o desempenho das exportações nos próximos meses.

A cota relacionada à salvaguarda chinesa encontra-se praticamente preenchida, o que pode elevar os custos para acesso ao mercado asiático no segundo semestre. Caso isso ocorra, a competitividade da carne bovina brasileira poderá ser impactada, especialmente nas vendas destinadas ao principal comprador do produto.

Ainda assim, os indicadores atuais mostram um setor sustentado por exportações aquecidas e por uma estratégia de retenção de matrizes que pode influenciar a oferta de animais nos próximos ciclos da pecuária mato-grossense.

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