Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
PRÉ-CANDIDATO À PRESIDÊNCIA

Zema propõe reforma do STF, privatizações e mudanças na CLT em plano de governo

ZEMA

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) apresentou, nesta quinta-feira (16), as diretrizes de seu plano de governo como pré-candidato à Presidência da República, com um discurso marcado por críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defesa de privatizações em larga escala e mudanças em políticas sociais e trabalhistas.

O pacote, lançado sob o slogan “O Brasil sem intocáveis”, sinaliza uma estratégia de diferenciação dentro do campo da direita, onde Zema busca se posicionar de forma mais incisiva em relação ao senador e também pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais nomes desse espectro político.

Disputa por espaço na direita

Enquanto Flávio Bolsonaro tem adotado um tom mais moderado na pré-campanha, evitando confrontos diretos e tentando construir uma imagem mais equilibrada, Zema tem apostado em um discurso mais duro, especialmente contra o STF e estruturas do Estado.

Nos bastidores, a estratégia de Flávio inclui reduzir desgastes associados ao legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), principalmente em temas como relações institucionais, comunicação e postura pública.

Zema, por sua vez, tem sinalizado que pretende manter a candidatura até o fim e descartou a possibilidade de compor como vice em uma eventual chapa.

Um dos principais pontos do plano é a reformulação do Supremo Tribunal Federal. Zema afirmou que, se eleito, pretende propor ao Congresso mudanças estruturais na Corte.

Entre as medidas defendidas estão:

  • mandato de 15 anos para ministros
  • idade mínima de 60 anos para indicação
  • fim de decisões monocráticas
  • restrições à atuação de familiares de magistrados na advocacia

“Minha primeira medida será propor ao Congresso um novo Supremo”, afirmou o pré-candidato durante o evento.

Zema também fez críticas ao ministro Gilmar Mendes, ao comentar decisões envolvendo o governo de Minas Gerais.

Agenda econômica e Estado mínimo

Na área econômica, o plano reforça uma agenda liberal com foco na redução do tamanho do Estado. A proposta prevê a privatização de estatais, incluindo empresas consideradas estratégicas, além de cortes de gastos públicos e redução de impostos.

A equipe do pré-candidato também defende um “choque fiscal”, com medidas para enxugar a máquina pública e ampliar a participação da iniciativa privada em áreas hoje sob responsabilidade do Estado.

Mudanças nas relações de trabalho

Outro eixo do plano é a reformulação das regras trabalhistas. Zema propõe a criação de um regime alternativo à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com maior flexibilidade nas relações entre empregadores e trabalhadores.

Entre as propostas estão contratos por hora ou por períodos mais curtos e mudanças em direitos como férias, o que representaria uma alteração significativa no modelo atual.

Segurança pública

Na segurança pública, o plano adota uma linha mais rígida. Entre as medidas defendidas está o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas, além do endurecimento de políticas de combate ao crime.

Inspiração internacional

As diretrizes apresentadas por Zema dialogam com modelos recentes de governos liberais na América Latina, como o do presidente argentino Javier Milei, com foco em redução do Estado, desregulamentação e enfrentamento a estruturas institucionais consideradas excessivas.

Cenário eleitoral

O lançamento do plano ocorre em meio à movimentação antecipada para as eleições presidenciais, com diferentes grupos da direita buscando consolidar nomes e estratégias.

A postura mais incisiva de Zema indica uma tentativa de ocupar espaço entre eleitores que defendem uma agenda mais radical de reformas, enquanto Flávio Bolsonaro tende a apostar em uma construção política mais gradual e menos confrontacional.

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