Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
RENTABILIDADE EM RISCO

Safra de algodão 2026/27 terá terceiro maior custo da história em MT

agro/ algodão

Apesar da leve redução em relação ao ciclo anterior, a safra de algodão 2026/27 seguirá entre as mais caras já registradas em Mato Grosso. Levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o custo operacional da próxima temporada permanece como o terceiro maior da série histórica acompanhada pelo instituto, cenário que mantém a atenção dos produtores voltada para a rentabilidade da atividade.

Segundo o estudo, o custeio da safra foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare, redução de 1,14% em relação à temporada 2025/26. Já o Custo Operacional Efetivo (COE) ficou projetado em R$ 15.247,29 por hectare, recuo de 0,64% na mesma comparação.

Mesmo com a diminuição dos desembolsos relacionados à manutenção, operações mecanizadas e defensivos, o Imea destaca que os custos continuam em patamares historicamente elevados, exigindo atenção redobrada dos cotonicultores.

Para cobrir o custo operacional da atividade, o produtor precisará comercializar a pluma por pelo menos R$ 122,75 por arroba, considerando a produtividade média das últimas três safras, de 124,22 arrobas por hectare.

Até maio deste ano, o preço médio de comercialização da safra 2026/27 permanecia 3,42% acima desse ponto de equilíbrio, resultado sustentado pela valorização observada no mercado entre abril e maio. O cenário, entretanto, mudou nas últimas semanas.

O contrato do algodão com vencimento em julho de 2026 negociado na Bolsa de Nova York registrou queda de 4,71% na comparação semanal, refletindo a cautela dos investidores e as boas condições das lavouras nos Estados Unidos. O movimento pressionou a paridade de exportação brasileira, que recuou 4,20%, para R$ 119,34 por arroba.

No mercado interno, o indicador Cepea da pluma também apresentou retração semanal de 1,52%, sendo cotado, em média, a R$ 417,11 por libra-peso.

De acordo com o Imea, embora os preços negociados até maio ainda garantam cobertura dos custos operacionais, a margem do cotonicultor segue sensível às oscilações do mercado. A recente queda das cotações reforça a importância de estratégias de comercialização e gestão de risco para preservar a rentabilidade da safra 2026/27.

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