Safrinha menor pode elevar preços do milho; Estudo aponta impacto da cigarrinha no país

Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente à semana de 3 a 9 de abril e divulgada nesta quinta-feira (9), os preços do milho apresentaram leve recuperação no Brasil. No Rio Grande do Sul, as principais praças registraram valores em torno de R$ 57,00 por saca, enquanto nas demais regiões do país as cotações oscilaram entre R$ 50,00 e R$ 68,00 por saca.
De acordo com a Ceema, o milho ainda apresenta preços considerados acessíveis ao consumidor interno, mas há preocupação com o comportamento do mercado nos próximos meses. A expectativa é de uma safra menor, especialmente na segunda safra, em função da redução de área plantada e de condições climáticas adversas, o que pode pressionar os preços no segundo semestre. A consultoria Brandalize Consulting também aponta que a demanda externa deve contribuir para esse movimento de alta.
No avanço da comercialização, cerca de 18% da safrinha 2025/26 já havia sido negociada, considerando uma produção estimada em 100,6 milhões de toneladas. O ritmo varia entre os estados, com destaque para Mato Grosso, que alcançou 24,4% da produção esperada comercializada, enquanto outras regiões apresentam percentuais menores. No Matopiba, a comercialização atingia 15,8% da produção prevista. O plantio da segunda safra está praticamente concluído no país.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a colheita da safra de verão atingia 51,3% da área total, em linha com a média histórica para o período. Já em relação à segunda safra, o Paraná segue como ponto de atenção devido a problemas climáticos que têm impactado o desenvolvimento das lavouras.
No Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta crescimento de 1,5% na demanda pelo cereal. A safrinha no estado teve 1,17 milhão de hectares semeados fora da janela ideal, mas a produção ainda é estimada em 51,7 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade média prevista de 116,6 sacas por hectare.
As exportações brasileiras de milho somaram 983.029 toneladas em março, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), volume 12,8% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. O preço médio por tonelada, no entanto, recuou 4,1%, passando de US$ 240,30 em março de 2025 para US$ 230,40 em março de 2026.
Um estudo publicado na revista Crop Protection aponta impactos da cigarrinha-do-milho sobre a produção nacional. A pesquisa, conduzida pela Embrapa Cerrados, Epagri e CNA, indica perda média de 22,7% da safra anual entre 2020 e 2024, com prejuízo estimado em US$ 6,5 bilhões por ano. “Atualmente, os dois tipos de enfezamentos – o pálido e o vermelho – são a maior ameaça fitossanitária à produção brasileira do grão. As duas doenças são causadas pela cigarrinha-do-milho, que também transmite os vírus do mosaico-estriado e da risca do milho.”
O estudo também destaca os efeitos indiretos das perdas na cadeia produtiva. “O impacto negativo da cigarrinha ultrapassa a porteira da fazenda, já que o milho é base para a produção de proteína animal (aves, suínos e leite) e biocombustíveis, e as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial brasileira”.
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