Secagem mal feita pode causar trincas e perda de peso na soja, aponta estudo
A soja deve ser colhida com umidade entre 16% e 18%

A secagem da soja é apontada como a etapa mais crítica da pós-colheita, com potencial de comprometer a qualidade dos grãos, gerar desvalorização comercial e aumentar o risco de contaminação por fungos e micotoxinas. O problema se concentra entre fevereiro e julho, período de maior concentração das colheitas nas principais regiões produtoras do país. Segundo dados técnicos compilados por especialistas em armazenagem de grãos, o manejo incorreto da temperatura e do tempo de secagem é o principal responsável pelas perdas registradas nessa fase.
A soja deve ser colhida com umidade entre 16% e 18% e seca até cerca de 12% a 13% para garantir armazenamento seguro por vários meses. Colher acima desse patamar eleva o risco de dano mecânico durante a colheita e aumenta o volume de grãos a secar, elevando os custos da operação. Já a colheita com umidade abaixo de 13% tende a provocar mais perdas por quebra de vagens e grãos, resultando em maior índice de grãos quebrados na classificação final.
O processo de secagem combina transferência de calor e de massa: o ar aquecido eleva a temperatura da superfície do grão e evapora parte da água, que migra do interior para a superfície e é removida pelo fluxo de ar. Três variáveis comandam essa dinâmica temperatura do ar, umidade relativa e velocidade do ar associada ao tempo de exposição. Segundo o material, quanto mais quente o ar de secagem, maior a capacidade de retirada de umidade, mas também maior o risco de dano térmico ao grão.
Entre os principais impactos de uma secagem mal conduzida estão o aumento de grãos quebrados e trincados, causado por quedas rápidas de umidade que geram tensões internas na estrutura do grão; a perda de peso, decorrente tanto da secagem excessiva quanto do aumento da respiração dos grãos sob aquecimento; a piora da sanidade, favorecendo o crescimento de fungos de armazenamento em situações de secagem lenta ou desuniforme; e a redução da qualidade fisiológica em lotes destinados à produção de sementes, que exigem temperaturas mais baixas e tempo maior de secagem para preservar germinação e vigor.
A definição da estratégia de secagem, segundo o material técnico, deve considerar a umidade de chegada dos grãos, o volume diário colhido em relação à capacidade do secador, o destino do produto indústria ou sementes , as condições climáticas do momento e o tempo disponível para escoar a safra. Entre as boas práticas recomendadas estão a limpeza prévia dos grãos antes da secagem, o controle rigoroso da temperatura efetiva do grão (e não apenas do ar), a secagem em etapas para lotes com umidade muito elevada, o monitoramento contínuo da umidade em diferentes pontos do processo e o resfriamento rápido e uniforme após a secagem, seguido de aeração adequada no armazenamento.
Os pontos mais críticos de perda de qualidade envolvem deixar o grão úmido estocado por muitas horas antes de secar, utilizar temperaturas excessivas principalmente em lotes de sementes , não monitorar a umidade ao longo do processo e negligenciar o resfriamento após a secagem. A recomendação geral é que a secagem seja tratada como parte de um sistema integrado de pós-colheita, que envolve também colheita bem regulada, transporte rápido até o secador e armazenagem em silos limpos e com aeração eficiente.
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