Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Secretário diz que poderia “infartar” diante de questionamentos e deixa audiência sobre obras do BRT na ALMT

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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Marcelo de Oliveira Padeiro, deixou antes do fim uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), realizada nesta segunda-feira (13), onde havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre a execução das obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande. A saída ocorreu após um discurso em tom de desabafo, no qual criticou a implantação do extinto Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e afirmou que preferiu deixar a sessão para evitar um desgaste emocional.

A audiência foi convocada para que o secretário respondesse a questionamentos dos deputados estaduais sobre contratos, valores e o andamento das obras do novo modal de transporte. Segundo o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), autor do requerimento, os contratos relacionados ao BRT já ultrapassam R$ 530 milhões, enquanto alguns trechos e estruturas previstas ainda não foram contratados ou concluídos.

Antes de deixar a reunião, Marcelo Oliveira afirmou que sua equipe técnica e representantes jurídicos da pasta responderiam aos questionamentos dos parlamentares. O secretário alegou que estava nervoso e que poderia se prejudicar caso continuasse no debate.

“Com todo o respeito, a minha equipe vai responder. Isaac, você responde à parte técnica. A outra parte deixa para o doutor Carlos responder. E, com todo o respeito que eu tenho por vocês, eu vou pedir licença, porque eu sou muito nervoso. Tem coisa que eu quero falar e isso vai me infartar, porque eu não quero falar”, declarou.

Durante sua fala, o secretário voltou a criticar o processo de implantação do VLT, iniciado para a Copa do Mundo de 2014, mas que ficou paralisado por anos antes de o governo estadual decidir pela substituição pelo BRT. Oliveira afirmou que o antigo projeto deixou prejuízos aos cofres públicos e comparou a situação com os investimentos atuais no novo sistema.

“Os trens do VLT ficaram 10 anos parados, enquanto os trilhos não tinham sido feitos”, afirmou.

O secretário também fez críticas mais amplas sobre a gestão dos recursos públicos no país e defendeu maior fiscalização sobre a aplicação do dinheiro público.

“O dinheiro público precisa ser respeitado”, disse Marcelo Oliveira, ao comentar os questionamentos feitos pelos deputados sobre o andamento das obras.

Questionamentos sobre contratos

Durante a audiência, o deputado Lúdio Cabral questionou a evolução dos valores destinados à construção das estações do BRT. Segundo o parlamentar, uma primeira licitação previa investimento de aproximadamente R$ 68 milhões para a construção de 77 estações. Após a desclassificação da empresa vencedora, uma nova contratação teria sido realizada cerca de 75 dias depois, com valor estimado em R$ 120 milhões.

O deputado também apontou que algumas estruturas previstas no projeto ainda apresentam baixo percentual de execução. Segundo ele, a audiência tinha como objetivo obter informações da Sinfra para avaliar possíveis medidas futuras.

“Nós vamos dar continuidade porque é importante nós ouvirmos o posicionamento da Sinfra sobre os questionamentos que nós fizemos. Para que, a partir daí, a gente possa tomar providências, caso haja necessidade”, afirmou Lúdio.

Após deixar a sessão, Marcelo Oliveira não concedeu entrevista à imprensa. A equipe técnica da Sinfra permaneceu responsável por apresentar as informações solicitadas pelos deputados.

A audiência ocorre em meio ao debate político sobre o andamento do BRT em Mato Grosso, projeto que substituiu o VLT após anos de paralisação e que tem sido alvo de cobranças no Legislativo estadual quanto a prazos, custos e execução das obras.

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