Seis candidatos disputam o Governo de Mato Grosso; conheça os perfis e trajetórias

A eleição para o Governo de Mato Grosso chega à campanha com seis nomes oficialmente colocados na disputa pelo Palácio Paiaguás. O cenário reúne personagens com trajetórias bastante diferentes: há quem acumule mais de três décadas de vida pública, quem já esteja no comando do Estado, quem nunca tenha disputado uma eleição e candidatos que construíram suas carreiras fora da política tradicional.
Estão na corrida Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos), Natasha Slhessarenko (PSD), Rafaell Milas (Missão), Maurício Coelho (Mobiliza) e Laudicério Machado (Agir). A relação consta no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (DivulgaCandContas), plataforma que reúne os registros apresentados à Justiça Eleitoral e as informações eleitorais dos candidatos.
A partir dos registros eleitorais e do histórico público de cada um, a disputa apresenta seis personagens que chegaram à eleição por caminhos distintos.
Wellington Fagundes: três décadas no Congresso e uma nova tentativa de chegar ao Paiaguás
Aos 68 anos, Wellington Fagundes chega à eleição com uma das trajetórias políticas mais extensas entre os concorrentes. Natural de Rondonópolis, o candidato do Partido Liberal (PL) construiu sua carreira principalmente no Congresso Nacional.
Médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Wellington entrou na política eleitoral ainda no início dos anos 1990. Foi deputado federal por Mato Grosso por seis mandatos consecutivos antes de chegar ao Senado, onde ocupa uma cadeira desde 2015.
A experiência acumulada em Brasília é um dos principais elementos da candidatura. Ao longo dos anos, Fagundes passou por diferentes momentos da política mato-grossense e manteve presença constante nas articulações envolvendo municípios, infraestrutura e setor produtivo.
Agora, tenta transformar essa trajetória no Congresso em uma vitória para assumir o Executivo estadual.
Na chapa, Wellington terá o empresário Reinaldo Moraes (PL) conhecido como 'Rei do Porco' do Novo, como candidato a vice.
A candidatura também coloca Wellington no centro do campo político ligado ao bolsonarismo em Mato Grosso. A campanha terá como um de seus desafios ampliar a presença do senador para além de sua base política tradicional e transformar a experiência acumulada em votos para o Governo.
Otaviano Pivetta: do interior de Mato Grosso ao comando do Estado
Se Wellington tenta chegar ao Palácio Paiaguás depois de uma longa passagem pelo Legislativo, Otaviano Pivetta parte de uma posição diferente: ele já está no comando do Estado.
Candidato pelo Republicanos, Pivetta construiu sua trajetória política a partir de Lucas do Rio Verde, município que administrou como prefeito. Também exerceu mandato de deputado estadual e, posteriormente, passou a ocupar a posição de vice-governador na chapa de Mauro Mendes.
Foi nessa condição que chegou ao comando do Estado. Com a saída de Mendes, Pivetta assumiu o Governo e agora disputa sua permanência no cargo.
Antes da política, sua trajetória esteve fortemente ligada ao setor produtivo e ao agronegócio. A experiência empresarial e a atuação política no interior ajudaram a formar a imagem de Pivetta como um dos principais representantes do grupo político que passou a comandar Mato Grosso nos últimos anos.
Para a eleição de 2026, ele terá ao seu lado a suplente de deputada federal Gisela Simona, que assumiu o posto, substituindo o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), que renunciou a vaga na chapa majoritária após a Operação da Polícia Federal que teme ele, e o ex-governador Mauro Mendes como alvos.
A candidatura de Pivetta, portanto, tem como característica central a tentativa de transformar a gestão que já exerce em argumento para permanecer no Governo por mais um mandato.
Natasha Slhessarenko: da medicina para a primeira disputa eleitoral
A entrada de Natasha Slhessarenko na eleição representa uma mudança de perfil em relação aos dois principais nomes com longa experiência política.
Médica, professora universitária e empresária na área da saúde, Natasha chega à disputa pelo PSD sem ter ocupado anteriormente um mandato eletivo. É filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, personagem conhecida da política mato-grossense, mas construiu sua própria carreira principalmente fora dos cargos políticos.
Formada em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Natasha atua nas áreas de pediatria e patologia clínica e também possui trajetória acadêmica. Foi professora universitária e integrou o Conselho Federal de Medicina como representante de Mato Grosso.
Sua candidatura também ganhou dimensão nacional ao receber o apoio da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para vice-governador, Natasha terá Diogo Botelho, advogado e professor universitário.
A eleição, para ela, representa a passagem de uma carreira construída na medicina e na academia para o principal cargo do Executivo estadual.
Rafaell Milas: comunicação, marketing político e uma estreia nas urnas
Entre os seis candidatos, Rafaell Milas é um dos nomes que chegam à disputa diretamente do universo da comunicação.
Candidato pelo Missão, partido associado ao Movimento Brasil Livre (MBL), Milas trabalha com publicidade, comunicação audiovisual e marketing político. Também participa do podcast Tudo Menos Política e atua na organização do partido em Mato Grosso.
Sua relação com a política, portanto, não começou com a candidatura. Antes de decidir disputar o Governo, ele já havia trabalhado nos bastidores de campanhas e na comunicação política.
A diferença é que, desta vez, deixou a posição de estrategista para assumir o papel de candidato.
Será sua primeira disputa eleitoral por um cargo público. Na chapa, terá como vice o empresário Thales Rodrigo Sartorelo, ligado ao setor da construção civil.
A candidatura de Milas representa a entrada de um perfil mais identificado com a comunicação digital e com a nova geração de movimentos políticos na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
Maurício Coelho: empresário e escritor que transforma experiência em comunicação em candidatura
Outro candidato que chega ao pleito sem uma longa carreira em cargos eletivos é Maurício Coelho, do Mobiliza.
Empresário e escritor, Coelho construiu sua trajetória profissional principalmente em torno de comunicação, eleições e políticas públicas. Segundo informações divulgadas por sua campanha, ele atua há aproximadamente 15 anos nesse ambiente e também criou uma empresa de comunicação.
A experiência no setor eleitoral acabou sendo parte da formação política do candidato. Durante a graduação, escreveu uma obra relacionada à análise eleitoral e, segundo sua equipe, o trabalho ultrapassou a marca de 100 mil leitores.
Na eleição, Coelho terá como vice o médico Wagner Malheiros, especialista em pneumologia e clínica médica e natural de Cuiabá.
Assim como Milas, Maurício Coelho representa um perfil que chega à política institucional depois de uma trajetória construída fora dos mandatos tradicionais.
Laudicério Machado: a Polícia Militar como ponto de partida para a disputa
O sexto candidato tem uma trajetória ligada à segurança pública.
Laudicério Machado, conhecido como sargento Laudicério, disputa o Governo pelo Agir. Integrante da Polícia Militar desde 2003, ele construiu sua atuação profissional dentro da corporação e também desenvolveu carreira acadêmica.
É formado na área de Administração e possui mestrado e doutorado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Paralelamente à atividade militar, passou a atuar como professor em cursos de formação e aperfeiçoamento voltados para profissionais da segurança pública.
Desde 2021, preside a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, posição que ampliou sua atuação como representante de integrantes das forças de segurança.
Na eleição, terá como vice o empresário e produtor rural Gilberto Eglair Possamai, conhecido como Beto Possamai.
A candidatura leva para a disputa estadual um nome cuja trajetória política está diretamente relacionada às pautas da segurança pública e à representação de policiais e bombeiros.
A eleição será realizada em 4 de outubro, quando os eleitores de Mato Grosso escolherão o próximo governador.
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