“Será que vai ter retaliação?”, diz filha de Renato Nery ao relatar insegurança após morte do advogado

A filha do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, afirmou nesta quarta-feira (15) que a família ainda convive com insegurança quase dois anos após o assassinato do pai, ocorrido em Cuiabá. Lívia Nery prestou depoimento como testemunha de acusação no júri de Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado pelo Ministério Público como o executor do crime.
Antes de acompanhar o Tribunal do Júri, Lívia Nery afirmou que a família conseguiu retomar parcialmente a rotina, mas que a sensação de segurança ainda não foi totalmente restabelecida. Ela continua trabalhando no escritório onde o pai, o advogado Renato Gomes Nery, foi assassinado e passa diariamente pelo local do crime, mantendo presente a lembrança da violência sofrida.
Segundo ela, a tranquilidade definitiva só deverá ocorrer após o encerramento de todos os julgamentos e a definição da situação dos acusados pela morte do advogado.
“Eu trabalho no escritório do meu pai, eu passo todos os dias por onde ele foi assassinado. Então, dizer que a minha vida voltou ao normal é muito complicado. Essa insegurança diminuiu, sim. Só que, a todo momento, a gente tem pedido de habeas corpus para a soltura. A gente não sabe como vai ser esse desenrolar, continua”, afirmou.
Segundo ela, o sentimento de medo diminuiu com o passar do tempo, mas a família ainda acompanha com preocupação os pedidos de liberdade apresentados pela defesa dos investigados.
“Essa insegurança diminuiu, sim. Só que a todo momento a gente tem pedido de habeas corpus para soltura. A gente não sabe como vai ser esse desenrolar”, declarou.
Lívia afirmou que a família acredita que a sensação completa de segurança só virá após a conclusão da tramitação judicial.
“A gente acredita que essa real tranquilidade vai vir mesmo depois de finalizar todos os julgamentos, na hora que a gente ver que isso terminou. Porque a gente está falando de prisões preventivas ainda”, disse.
A filha do advogado também relatou que, apesar da retomada da rotina, ainda existe preocupação sobre possíveis consequências por sua participação no processo.
“Eu estou aqui, vou prestar um depoimento, sou testemunha de acusação. Será que algum dia vai ter uma retaliação para mim? Eu não sei”, afirmou.
O crime
Renato Gomes Nery foi morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. O advogado chegou a ser socorrido, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
O Ministério Público denunciou Alex Roberto de Queiroz Silva como responsável pela execução do homicídio. O julgamento desta quarta-feira é uma das etapas do processo que busca esclarecer a participação dos envolvidos no assassinato.
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