Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Sérgio Ricardo inicia vistoria na MT-170 e cobra explicações sobre trecho de R$ 130 milhões que “virou farelo”

SERGIO RICARDO/TCE

 O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, iniciou nesta segunda-feira (1º) uma vistoria técnica na MT-170, entre os municípios de Castanheira e Juruena, para apurar denúncias sobre a rápida deterioração do pavimento em trechos entregues há menos de um ano. 

A inspeção faz parte do programa “TCE com o Pé na Estrada”, criado para verificar in loco a qualidade de obras públicas financiadas com recursos estaduais. Segundo Sérgio Ricardo, a principal preocupação é a situação de um trecho da MT-170 que, apesar dos investimentos milionários, apresenta desgaste considerado incompatível com o tempo de uso.

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“Nós temos recebidos diversas denuncias. As informações dizem que esse trecho está destruído e foi entregue há menos de um ano. E o Tribunal de Contas está com o pé na estrada”, afirmou o conselheiro antes do início da viagem.

O presidente do TCE, destacou que as obras foram executadas por quatro empresas: MT Sul, Guache, Cavalca e Agrimat. Além delas, a empresa Consol foi contratada pelo Governo do Estado para realizar a fiscalização técnica dos serviços.

 

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A agenda da fiscalização inclui passagens por Campo Novo do Parecis, Brasnorte, Juína, Castanheira e Juruena, com visitas técnicas e reuniões com moradores, vereadores, prefeitos e lideranças regionais.

A MT-170 é considerada estratégica para o escoamento da produção agropecuária do noroeste mato-grossense. A pavimentação da rodovia foi uma das principais obras de infraestrutura executadas pelo Governo de Mato Grosso nos últimos anos após a estadualização de trechos da antiga BR-174.

Entretanto, denúncias de moradores, transportadores e autoridades locais apontam que parte do asfalto começou a apresentar falhas graves poucos meses após a conclusão dos serviços. Sérgio Ricardo afirmou que as informações recebidas pelo TCE indicam um cenário preocupante.

“A MT-170 começou a ser feita agora, faz um ano que ela foi construída e ela já está destruída. E as informações que temos é que no trecho entre Castanheira e Juruena está totalmente destruído. Como é tudo o mesmo projeto, daqui a pouco os 240 quilômetros vão estar todos destruídos", destacou Sergio Ricardo.

De acordo com o presidente do TCE, os levantamentos preliminares apontam que o trecho mais problemático seria justamente o executado pela empresa MT Sul.

"Virou farelo. A MT-170 virou farelo. E ela custou milhões. E esse trecho que é o pior trecho, e pelo as informações que minha equipe já levantou, foi feito pela MTSul. E eu quero saber de quem é essa empresa, que empresa que é essa? Já temos informações que ela recebeu milhões go Governo do Estado. Nos primeiros levantamentos que temos, só nesse trecho ela recebeu R$ 130 milhões, e a estrada está totalmente destruída em um ano”, completou. 

De acordo com o presidente, a equipe de auditores do TCE levantou que uma das construtoras não tem seguro no contrato exigidas para obras públicas, ou seja, não possui cobertura securitária suficiente para responder por eventuais danos.

“Todas as empresas têm que ter seguro. E me parece que uma dessas construtoras não tem seguro. Eu quero verificar isso”, afirmou.

“A empresa é obrigada a garantir a manutenção. Se não tiver seguro, não tem como cobrir o estrago”, declarou.

Vistoria amplia pressão política

A fiscalização do TCE ocorre em um momento de forte repercussão política em torno da MT-170.

 

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Nas últimas semanas, o assunto ganhou espaço no debate público após críticas sobre a qualidade do pavimento e sobre a condução dos contratos. O tema provocou troca de farpas entre o ex-governador Mauro Mendes (UB), e senador e pré-candidato ao Governo do Estado - Wellington Fagundes (PL),  além de manifestações do senador Wellington Fagundes.

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A entrada do Tribunal de Contas no caso elevou a pressão sobre os responsáveis pela execução e fiscalização das obras, uma vez que o órgão possui competência para determinar auditorias, aplicar sanções e recomendar medidas de ressarcimento aos cofres públicos caso sejam identificadas irregularidades.

Auditoria pode apontar responsabilidades

Durante a vistoria, técnicos e auditores do tribunal irão avaliar as condições do pavimento, verificar documentos contratuais e levantar informações sobre a execução dos serviços.

O objetivo é identificar se os problemas decorrem de falhas de projeto, execução inadequada, deficiência na fiscalização ou descumprimento de obrigações contratuais.

“Nós queremos mostrar, ouvir a população e saber o que aconteceu. O Tribunal de Contas está indo lá para verificar quem fez, quem fiscalizou e quanto vai custar para refazer essa estrada”, afirmou Sérgio Ricardo.

Caso sejam confirmadas irregularidades, o resultado da fiscalização poderá subsidiar processos de responsabilização contra empresas contratadas, fiscais da obra e gestores públicos envolvidos no empreendimento.

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e as empresas citadas durante a transmissão do presidente do TCE para comentar as declarações e os apontamentos apresentados na vistoria. O espaço permanece aberto para manifestação.

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