Servidores do Samu denunciam demissões e risco de fechamento de bases em MT

Servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizaram uma mobilização na manhã desta quarta-feira (25), em frente à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em Cuiabá, em protesto contra a dispensa de profissionais e o possível fechamento de bases operacionais na região metropolitana.
O ato foi motivado pela confirmação do desligamento de ao menos 56 trabalhadores — entre enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores — previsto para ocorrer entre o fim de março e o início de abril. A categoria afirma que a medida, somada à não renovação de contratos e à ausência de convocação de concursados, pode comprometer diretamente o funcionamento do serviço.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso, Carlos Mesquita, o impacto pode levar ao fechamento de até 40% das unidades do Samu em Cuiabá e Várzea Grande.
Atualmente, o sistema conta com dez bases na região, estruturadas entre unidades básicas, avançadas e motolâncias. Com a redução do efetivo, pelo menos quatro dessas unidades podem ser desativadas por falta de equipe mínima.
Segundo Mesquita, a diminuição das equipes tende a aumentar o tempo de resposta nas ocorrências.
“Hoje já há dificuldade para atender a demanda. Com menos profissionais, a população pode esperar ainda mais por socorro, o que pode agravar quadros clínicos e até resultar em mortes”, afirmou em conversa com a imprensa durante a manifestação.
Os servidores também criticam a forma como a decisão foi conduzida. Conforme relatos, não houve comunicação prévia nem planejamento para reposição imediata dos profissionais, apesar da existência de concurso vigente.
“A convocação leva tempo. Sem planejamento, o serviço fica descoberto”, pontuou o sindicalista.
Outro fator que agrava o cenário, segundo a categoria, é o afastamento de trabalhadores que acumularam férias e licenças durante a pandemia e agora estão sendo liberados desses períodos, reduzindo ainda mais o efetivo disponível.
Além das demissões, os profissionais denunciam o fechamento de bases consideradas estratégicas na baixada cuiabana, o que pode ampliar a distância entre as equipes e os locais de atendimento. Com isso, a tendência é de aumento no tempo de deslocamento das ambulâncias.
Durante a mobilização, representantes do movimento buscaram apoio de parlamentares estaduais para intermediar a situação. Houve diálogo com deputados e com a presidência da ALMT, na tentativa de abrir negociação com o Governo do Estado e a Secretaria de Saúde.
A categoria defende a suspensão das demissões e a adoção de medidas que garantam a continuidade do serviço. Entre os trabalhadores, o sentimento é de preocupação tanto com a manutenção dos postos de trabalho quanto com os reflexos diretos na assistência à população.
“Estão desmontando o Samu. E quem vai sentir isso é a população”, afirmou uma das servidoras durante o protesto.
Até o momento, não houve detalhamento oficial sobre as medidas. O caso segue em discussão.
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