Sinfra rompe contratos com consórcios após asfalto virar “farelo” em menos de um ano na MT-170

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) rescindiu os contratos com dois consórcios responsáveis pelas obras de pavimentação da MT-170, antiga BR-174, no Noroeste de Mato Grosso. A decisão, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (17), ocorre após uma série de notificações por problemas na execução e depois de fiscalizações realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que encontraram trechos do asfalto deteriorados menos de um ano após a entrega.
LEIA TAMBÉM - VEJA VÍDEO -Sérgio Ricardo inicia vistoria na MT-170 e cobra explicações sobre trecho de R$ 130 milhões que “virou farelo”
A medida atinge o Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MTSUL, responsável pelo lote 1, e o Consórcio Construtor Agrimex, responsável pelo lote 2, nos trechos entre Castanheira e Juruena. Segundo a Sinfra, os contratos foram encerrados por falhas na execução dos projetos.
Além da rescisão unilateral, as empresas foram condenadas ao pagamento de R$ 7,2 milhões em multas moratórias e compensatórias, ficaram impedidas de contratar ou participar de licitações com o Governo de Mato Grosso por dois anos e deverão ressarcir integralmente os cofres públicos pelos prejuízos decorrentes da execução considerada defeituosa.
LEIA MAIS: TCE cobra reconstrução imediata de trecho danificado da MT-170
A decisão ocorre cerca de dois meses depois de uma fiscalização do TCE-MT que expôs as condições do pavimento. Em 1º de junho, o presidente do Tribunal, conselheiro Sérgio Ricardo, iniciou uma inspeção na rodovia após denúncias de que trechos recém-entregues já apresentavam deterioração. Durante a vistoria, o conselheiro afirmou que a situação era grave e que havia pontos em que o asfalto estava praticamente se desfazendo.
LEIA TAMBÉM: TCE vistoria MT-170 após denúncias de deterioração da rodovia menos de um ano após obra
Na ocasião, Sérgio Ricardo chamou atenção para a rapidez com que o pavimento apresentou problemas. “A MT 170 virou farelo e ela custou milhões”, afirmou o presidente do TCE-MT durante a inspeção. Segundo o Tribunal, um dos trechos mais críticos, entre Castanheira e Juruena, havia recebido cerca de R$ 130 milhões em investimentos.
A fiscalização também levou o TCE-MT a reabrir uma mesa técnica para discutir a recuperação dos trechos comprometidos. Após percorrer aproximadamente 50 quilômetros da rodovia, o presidente do Tribunal cobrou a reconstrução imediata das áreas que já haviam se deteriorado e o reforço dos segmentos que apresentavam sinais de desgaste.
Trechos serão reconstruídos
Com a rescisão, a Sinfra informou que está finalizando novos projetos para a reconstrução dos trechos comprometidos, que deverão ser licitados novamente. Enquanto a solução definitiva não é contratada, empresas responsáveis pela manutenção regional das rodovias deverão atuar emergencialmente na MT-170 para corrigir os pontos mais críticos.
A MT-170 foi estadualizada em 2021, quando o Governo de Mato Grosso assumiu a responsabilidade pela rodovia. Os contratos originais para a execução das obras haviam sido firmados em 2014, ainda quando o trecho era de responsabilidade federal. Em 2022, Governo e TCE-MT chegaram a promover uma Mesa Técnica para repactuar aspectos técnicos e financeiros do empreendimento.
O caso agora entra em uma nova etapa, com a rescisão dos contratos, a aplicação das penalidades e a previsão de reconstrução dos trechos que apresentaram deterioração precoce. A apuração sobre a qualidade da obra e a fiscalização dos contratos também segue no âmbito do TCE-MT.
Veja a nota íntegra:
Sinfra rescinde contrato com dois consórcios por falhas nas obras da MT-170 Trechos receberão manutenção até que nova licitação seja realizada para reconstrução da rodovia
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) rescindiu o contrato com dois consórcios responsáveis por obras de asfaltamento da MT-170, antiga BR-174, na região noroeste de Mato Grosso, devido a falhas na execução dos projetos.
Conforme a decisão, publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (17.8), foram encerrados os contratos com o Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MTSUL, responsável pelas obras no lote 1 da rodovia e com o Consórcio Construtor Agrimex, que fez as obras no lote 2, ambos entre Castanheira e Juruena.
Com a rescisão dos contratos, a Sinfra-MT está finalizando os projetos para reconstrução do trecho, que deverão ser licitados novamente. Além disso, empresas contratadas para manutenção regional das rodovias irão atuar na MT-170 para fazer a correção dos trechos até a solução definitiva.
Além da rescisão unilateral dos contratos, as empresas foram condenadas a pagar multas moratórias e compensatórias, em um valor total de R$ 7,2 milhões, ficam impedidas de licitar e contratar com o Governo de Mato Grosso por dois, além de serem condenadas a ressarcir integralmente os cofres públicos, por conta da execução defeituosa do contrato.
Histórico
As obras foram contratadas em 2014, quando a rodovia ainda era de responsabilidade federal, a BR-174, por meio de convênio do Governo do Estado com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). A licitação foi realizada no formato de Regime Diferenciado de Contratação Integrada. Ou seja, as empresas vencedoras eram responsáveis por elaborar os projetos básico e executivo, assim como pela execução integral da obra.
Parte das obras ficou paralisada por anos e a rodovia foi estadualizada em dezembro de 2021, para que o Governo do Estado pudesse assumir a execução do asfaltamento.
Em julho de 2022, foi instaurada uma Mesa Técnica junto com o Tribunal de Contas do Estado, para realizar uma repactuação técnica e financeira do contrato, já que o empreendimento foi concebido originalmente sob premissas técnicas do Dnit. O TCE e o consórcio concordaram formalmente com as alterações realizadas, sem apontar qualquer inviabilidade para execução das obras, à época.
Desde 2023, a Sinfra notificou o consórcio responsável pelas obras. Naquele ano, foram quatro notificações, por falhas na base e execução inadequada. Em 2024, foram mais 16 notificações indicando problemas na execução, as quais se somaram mais seis, em 2025.
A Sinfra abriu um processo administrativo, assegurando o exercício do contraditório e da ampla defesa, para rescindir o contrato e aplicar as penas cabíveis. Além disso, foi instaurada apuração técnica autônoma acerca de eventuais omissões e falhas de fiscalização da empresa supervisora do contrato Consol, bem como processo de mapeamento de conduta de servidores públicos envolvidos, que foi encaminhado à Unidade Setorial de Correição.
Relacionadas

Operação da Polícia Federal prende presidente do TCE-MT, afasta conselheiros e apura “folha paralela” milionária

Antes de ser presa pela PF, chefe de gabinete do TCE ostentou estadia com champanhe em hotel de luxo em SP ao lado de irmã de Sérgio Ricardo

Operação da Polícia Federal afasta conselheiros e prende cúpula do Tribunal de Contas de Mato Grosso

Mato Grosso firma acordo para construir 22 unidades integradas da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros; Veja vídeo.

Prefeito de Brasnorte anuncia nova secretária de Saúde, após a saída de Weriky Victor

