Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
MERCADO AGRÍCOLA

Soja despenca em Chicago e acende alerta em MT na reta final da colheita

Queda de até 70 pontos reverte altas recentes no mercado internacional, enquanto Mato Grosso avança para o fim da safra com preocupação sobre clima e fertilizantes

AGRO/SOJA

O mercado da soja registrou forte queda na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (16), revertendo ganhos recentes e acendendo um sinal de alerta para produtores. Por volta das 14h40 (horário de Brasília), os contratos mais negociados recuavam cerca de 70 pontos, com o vencimento de maio cotado a US$ 11,55 por bushel e o de julho a US$ 11,67.

A desvalorização devolve praticamente toda a alta acumulada nas últimas semanas, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio. O movimento de correção ocorre em meio a um cenário de ajustes no mercado internacional e expectativas em torno de negociações entre Estados Unidos e China.

Segundo análise da Agrinvest Commodities, os investidores acompanham de perto reuniões estratégicas entre representantes das duas potências, além de declarações do ex-presidente Donald Trump, que podem influenciar diretamente o rumo das negociações comerciais.

Além do grão, os derivados também registraram quedas expressivas. O óleo de soja recuou quase 5%, enquanto o farelo caiu mais de 2%. No setor energético, o petróleo também opera em baixa, ainda que com perdas mais moderadas.

Apesar disso, o cenário global segue volátil. O conflito no Oriente Médio continua impactando o mercado de energia, com riscos logísticos relevantes, especialmente após tensões envolvendo rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, considerado vital para o comércio global.

Colheita avança e entra na fase final em Mato Grosso

Enquanto o mercado internacional oscila, a colheita da soja em Mato Grosso avança para a reta final. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, até a última sexta-feira (13), os trabalhos atingiram 96,42% da área prevista, com avanço semanal de 7,27 pontos percentuais.

A região Médio-Norte já concluiu a colheita, consolidando-se como a primeira a encerrar os trabalhos. No entanto, no Oeste do estado, as chuvas no Vale do Guaporé ainda dificultam o avanço das máquinas, mantendo áreas prontas no campo.

Já nas regiões Nordeste e Sudeste, o ritmo foi mais acelerado nos últimos dias, com 92,54% e 90,36% das áreas colhidas, respectivamente.

A previsão de chuvas entre 55 e 75 milímetros nos próximos sete dias pode interferir no ritmo final da colheita, que deve ser concluída nas próximas semanas.

Preços ainda sustentam leve alta no estado

Mesmo com a queda recente em Chicago, o cenário da última semana ainda refletia valorização. No comparativo semanal, os preços internacionais haviam subido 3,40%, impulsionados principalmente pela alta do óleo de soja e pelas tensões geopolíticas.

Em Mato Grosso, o preço da oleaginosa registrou alta de 0,81%, sustentado pelo avanço da colheita e maior movimentação no mercado físico.

Já o dólar apresentou desvalorização de 0,89%, fechando na média de R$ 5,20, fator que influencia diretamente a rentabilidade das exportações.

Conflito internacional pressiona fertilizantes e preocupa produtores

Outro ponto de atenção para o setor é o impacto do cenário internacional sobre os insumos. O conflito no Oriente Médio pode afetar o fornecimento de fertilizantes, especialmente os fosfatados.

Em 2025, 58,91% das importações dessa categoria em Mato Grosso vieram de países como Egito e Israel, o que aumenta o risco diante de instabilidades geopolíticas.

Até fevereiro de 2026, os produtores já adquiriram 44,43% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/27, índice 13,33 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior.

No entanto, a maior parte das compras ainda deve ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestre, período historicamente marcado por maior volume de importações. Caso o conflito persista, há risco de alta nos preços, fretes mais caros e gargalos logísticos.

Custo elevado pode impactar produtividade

Os fertilizantes representam 45,12% do custo de produção da soja. Diante de possíveis aumentos, produtores podem reduzir o uso de insumos, o que compromete o pacote tecnológico e o potencial produtivo da próxima safra.

Entre oscilações no mercado internacional, clima e incertezas geopolíticas, o setor da soja entra em um momento decisivo, que deve influenciar tanto o fechamento da atual safra quanto o planejamento do próximo ciclo.

Relacionadas