Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
COLHEITA EM 99,74%

Soja dispara em reta final de colheita e mantém mercado aquecido em MT

AGRO/SOJA

A colheita da soja em Mato Grosso entra na fase final da safra 2025/26, com produção recorde no radar e preços sustentados por fatores externos e pela demanda interna aquecida. Na B3, os contratos da oleaginosa seguem em patamares firmes, refletindo o cenário global e dando suporte ao mercado brasileiro.

Até a última sexta-feira (27), os trabalhos no campo alcançaram 99,74% dos 13,01 milhões de hectares previstos, avanço de 0,60 ponto percentual na semana, conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O ritmo está acima da média dos últimos cinco anos, apesar de ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período da safra anterior.

As regiões Oeste (99,94%) e Centro-Sul (99,55%) praticamente concluíram a colheita. No Oeste, restam apenas áreas pontuais no Vale do Guaporé. Já Nordeste (99,47%) e Sudeste (99,38%) ainda apresentam leve atraso, influenciadas pelo plantio mais tardio e pelas condições climáticas ao longo do ciclo.

Com o avanço, a expectativa é de que a colheita seja totalmente finalizada nos próximos dias. A produção pode atingir até 51,5 milhões de toneladas, configurando a maior safra da história no estado.

Mercado firme

No mercado físico, os preços seguem sustentados. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada em Paranaguá registrou alta de 0,92% na semana, com a soja cotada a R$ 129,93 por saca.

A paridade de exportação também avançou, impulsionada pelos prêmios portuários, enquanto o diferencial de base entre Mato Grosso e Chicago subiu 6%, refletindo a valorização da commodity no estado.

A soja disponível em Mato Grosso foi negociada próxima de R$ 103 por saca, e a comercialização da safra já atinge 56,58% da produção estimada.

Biodiesel puxa demanda

A demanda por biodiesel segue como um dos principais vetores de sustentação do mercado. O aumento nos preços do petróleo elevou a competitividade dos biocombustíveis, impulsionando o consumo de óleo de soja.

No estado, o coproduto registrou alta de 1,48% na semana, cotado a R$ 5.886,75 por tonelada. Em fevereiro de 2026, a produção de biodiesel alcançou 195,3 mil metros cúbicos — avanço de 114,38% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mato Grosso responde por mais de 22% da produção nacional, consolidando-se como líder no setor. A expectativa de ampliação da mistura obrigatória para B16 ao longo de 2026 deve reforçar ainda mais a demanda.

Perspectiva

Mesmo com a entrada de uma safra recorde, o mercado segue sustentado. Exportações firmes, prêmios positivos e o avanço do biodiesel devem continuar dando suporte aos preços da soja no curto prazo.

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