Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
CASO RENATO NERY

STJ manda prender novamente policiais da Rotam por suspeita de forjar confronto

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O Superior Tribunal de Justiça determinou a nova prisão preventiva de quatro policiais militares da Rotam acusados de forjar um confronto em Cuiabá. A decisão atende a recurso do Ministério Público de Mato Grosso e foi publicada nesta quarta-feira (18).

Os militares são, Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alesandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Leandro Cardoso. Eles respondem por simular um confronto que terminou com um morto e um ferido, supostamente para plantar a pistola Glock G17 utilizada no assassinato do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024.

A decisão é da ministra Maria Marluce Caldas, que apontou risco à instrução criminal e à ordem pública. “Mostra-se igualmente necessário resguardar a instrução processual, diante do risco de intimidação das vítimas sobreviventes e das testemunhas dos fatos”, escreveu.

Soltura havia sido mantida

Os policiais estavam soltos desde maio do ano passado por decisão do juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, posteriormente referendada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

No recurso, o Ministério Público argumentou que a liberdade dos réus ignorou a gravidade concreta dos fatos e representava risco à investigação. A ministra concordou e destacou a “elevada periculosidade dos agentes” e a atuação estruturada do grupo.

O suposto confronto

Os militares respondem por homicídio de Walteir Lima Cabral, duas tentativas de homicídio, fraude processual, porte ilegal de arma e organização criminosa.

Segundo a ocorrência, o caso teria acontecido na madrugada de 12 de julho de 2024, na Avenida Contorno Leste, bairro Pascoal Ramos, quando os PMs atenderam denúncia de roubo de um Volkswagen Gol. Os policiais relataram troca de tiros com os suspeitos, resultando em um morto, um baleado e um foragido.

A perícia, porém, não encontrou cápsulas das pistolas que teriam sido usadas pelos suspeitos. A suspeita é que as armas — uma Glock G17 e uma Jericho — tenham sido plantadas.

Um dos sobreviventes afirmou que o grupo usou apenas uma arma falsa no roubo, versão reforçada pelo depoimento da vítima do assalto, que disse ter visto somente uma arma.

Assassinato de Renato Nery

Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi baleado na cabeça em 5 de julho de 2024, ao chegar ao escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido ao Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, mas morreu no dia seguinte.

As investigações apontam os empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi como mandantes do crime. Eles estão presos por homicídio qualificado e organização criminosa, motivados, segundo a acusação, por disputa judicial envolvendo área rural avaliada em mais de R$ 30 milhões em Novo São Joaquim.

Também respondem ao processo o sargento Heron Teixeira Pena Vieira, apontado como articulador, o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, indicado como autor dos disparos, além dos policiais Jackson Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira.

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