Taques cobra explicações de Mendes após ter depoimento barrado em CPI do Banco Master

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, cobrou explicações do governador Mauro Mendes (União Brasil) após a retirada de pauta do requerimento que previa seu depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, em Brasília. A comissão investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo Taques, ele pretendia apresentar documentos sobre supostas irregularidades em operações de crédito consignado que teriam prejudicado milhares de servidores públicos de Mato Grosso.
A reação do ex-governador ocorre após a circulação de vídeos registrados na última quarta-feira (11), que mostram a senadora Margareth Buzetti acompanhando Mauro Mendes nas dependências do Senado. De acordo com apuração divulgada na imprensa, o governador teria se reunido com o senador Alessandro Vieira (MDB-SP), relator da comissão parlamentar.
Após a visita, o requerimento que previa a convocação de Taques para prestar depoimento acabou não sendo apreciado na sessão da CPI. Informações divulgadas apontam que a retirada do item da pauta teria ocorrido após articulação atribuída à senadora. Até o momento, os citados não se manifestaram publicamente sobre o episódio.
Nesta segunda-feira (16), Taques voltou a se manifestar sobre o caso. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que chegou a viajar a Brasília após conversar com o senador Alessandro Vieira e disse que pretendia colaborar com as investigações da comissão.
“Mauro Mendes foi lá em Brasília para não deixar que eu desse depoimento na CPI do crime organizado e do Banco Master. Pois é, ele fez isso”, declarou.
De acordo com o ex-governador, durante a visita à capital federal ele apresentou informações preliminares relacionadas ao sistema de consignados envolvendo servidores estaduais.
“Eu fui a Brasília, mostrei tudo do consignado, tudo do Banco Master. Eu só queria falar para defender os servidores públicos do meu estado”, afirmou.
Taques também disse que pretendia relatar à CPI que a entrada do banco no mercado de crédito consignado em Mato Grosso teria ocorrido após um decreto assinado por Mauro Mendes em 2025.
“Eu ia falar que o Banco Master entrou no estado de Mato Grosso por um decreto dele, que permitiu que consignatárias que não têm autorização do Banco Central entrassem aqui”, disse.
Segundo o ex-governador, cerca de 10 mil servidores públicos do estado teriam sido prejudicados pelas operações envolvendo o banco.
Ainda no vídeo, Taques questionou o motivo de, segundo ele, o governador ter atuado para impedir seu depoimento na comissão.
“Além de atrapalhar uma investigação séria, ele impediu que eu levasse provas do roubo dos consignados que prejudicou milhares de servidores”, afirmou.
Em outro trecho, voltou a cobrar explicações do chefe do Executivo estadual.
“Ele tem que responder por que fez isso. Qual o medo dele?”, disse.
Até a publicação desta reportagem, nem o governador Mauro Mendes nem a senadora Margareth Buzetti haviam se pronunciado sobre as declarações do ex-governador.
Veja vídeo:
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