Temer pede que STF resolva crise interna e alerta para “sobrevivência” da República
Ex-presidente, responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo, defendeu diálogo, respeito à Constituição e harmonia entre os Poderes

O ex-presidente Michel Temer pediu, nesta quarta-feira (9), que o Supremo Tribunal Federal (STF) resolva internamente a crise que envolve ministros da Corte e preserve a harmonia entre os Poderes. Responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo, Temer afirmou que o momento exige respeito às instituições e à Constituição.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-presidente disse estar preocupado com os rumos do país e afirmou que sua manifestação ocorre em razão da experiência que acumulou na vida pública, incluindo a Presidência da República e a presidência da Câmara dos Deputados.
“Brasileiros e brasileiras, antes de mais nada, sou um cidadão profundamente preocupado com os destinos do nosso país. Eu faço também com a responsabilidade de quem já teve a honra de presidir por diversas vezes a Câmara dos Deputados e a Presidência da República Federativa do Brasil”, afirmou.
Temer disse que tem sido procurado por veículos de comunicação para comentar o cenário de conflito e apreensão no país. Segundo ele, existe uma dificuldade em compreender o papel das instituições justamente em um momento em que, na avaliação dele, a democracia precisa ser exercitada.
“Há, penso eu, no mínimo, uma grave dificuldade em compreender o papel das nossas instituições. Isso ocorre justamente no momento em que a democracia mais precisa ser exercitada”, declarou.
“Devem prevalecer as instituições”
Ao abordar diretamente o Supremo, Temer afirmou que as disputas envolvendo pessoas não podem se sobrepor às instituições.
“Nesse cenário de ruídos, é preciso relembrar uma obviedade: o que deve prevalecer não são as pessoas, mas sim as instituições, falo, em particular, do Supremo Tribunal Federal”, disse.
O ex-presidente afirmou ainda que o STF exerce o papel de guardião da Constituição e relacionou o cumprimento do texto constitucional à vontade popular.
“O Supremo Tribunal Federal é o guardião da nossa Constituição. E a Constituição nada mais é do que a expressão máxima da vontade do povo”, afirmou.
Para Temer, a preservação da Corte e a harmonia entre os Poderes são fundamentais para a estabilidade institucional.
“Manter, portanto, a integridade do Supremo Tribunal Federal e preservar a harmonia entre os poderes é uma questão de sobrevivência para a nossa República”, declarou.
Temer evita defender ministros
Durante o pronunciamento, Temer afirmou que sua manifestação não tinha como objetivo defender pessoas envolvidas nos conflitos do STF.
“E eu não trato aqui de questões ou disputas individuais. Pessoas tomam suas decisões e, no tempo certo, terão a oportunidade de apresentar suas manifestações. O que me move não é defesa de indivíduos, mas a defesa irrestrita da integridade das instituições, em particular do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.
Na avaliação do ex-presidente, a própria Corte possui instrumentos para solucionar internamente os conflitos.
“As instituições têm a maturidade e os instrumentos constitucionais necessários para solucionar seus litígios internamente”, disse.
Temer também defendeu que os episódios sejam superados por meio de diálogo e respeito.
“É fundamental que esses episódios sejam superados com diálogo e respeito para que possamos transmitir ao povo brasileiro a segurança de que o Estado Democrático de Direito está inteiramente preservado”, afirmou.
Crise no STF
A manifestação ocorre em meio ao agravamento dos conflitos internos no Supremo. Na quarta-feira (9), o presidente da Corte, Edson Fachin, suspendeu decisões tomadas por André Mendonça e Flávio Dino sobre a direção da Polícia Federal e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Fachin também convocou uma sessão extraordinária do plenário para discutir a crise.
Temer encerrou o pronunciamento defendendo que eventuais responsabilidades sejam apuradas, mas sem perder de vista a preservação das instituições.
“Que as responsabilidades sejam apuradas, claro, mas que o nosso norte seja sempre a harmonia, a paz e a defesa da nossa Constituição”, concluiu.
Veja vídeo:
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