TJ forma lista tríplice só com mulheres para vaga no TRE-MT
Kamila Teischmann, Mara Samaniego e Angélica Maciel foram as três mais votadas; escolha final será feita pelo presidente Lula

O Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) formou, na tarde desta quinta-feira (27), uma lista tríplice exclusivamente feminina para a vaga de juíza-membro substituta, na categoria jurista, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT).
As advogadas Kamila Michiko Teischmann, Mara Yane Barros Samaniego e Angélica Rodrigues Maciel Felicardo foram as três mais votadas entre as 19 candidatas que permaneceram na disputa. Kamila recebeu 24 votos, Mara teve 22 e Angélica, 21.
A formação da lista ocorre pela primeira vez apenas com mulheres e segue a política de paridade de gênero estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A vaga será aberta em 22 de outubro de 2026, quando termina o biênio do atual ocupante do cargo, o jurista Welder Queiroz dos Santos.
Como será a escolha
Após a votação no TJ-MT, a lista tríplice será encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois, caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolher uma das três advogadas para ocupar a vaga.
A nomeação será formalizada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial da União.
Sessão teve questionamentos sobre desistências
Antes da votação, a sessão do TJ-MT foi marcada por questionamentos relacionados às desistências de candidatas.
Inicialmente, 29 advogadas haviam apresentado candidatura. Cinco inscrições foram indeferidas por não atenderem integralmente às exigências documentais previstas no edital. Depois disso, outras cinco candidatas desistiram, sendo quatro delas às vésperas da votação.
Durante a sessão, o desembargador Rui Ramos deixou o plenário durante a votação após apontar preocupação com o número de desistências. O desembargador Orlando Perri também se retirou e levantou a possibilidade de interferência no processo.
Perri afirmou ter recebido informações de que algumas candidatas teriam sido convidadas a desistir da disputa e pediu a abertura de investigação.
“As informações que eu recebi, com todo respeito, acho que foram as mesmas que o desembargador Rui recebeu, são de que essas pessoas que desistiram foram convidadas a desistir. Isso é muito grave”, disse.
Em seguida, o desembargador afirmou que, caso as informações fossem confirmadas, a eleição poderia ter sido comprometida.
“Se for verdadeiro isso que está circulando, essa eleição é uma farsa. Como será uma farsa a próxima, se prometeram votos para essa desistência? E eu não participo de jogos de cartas marcadas, até porque penso que é um desrespeito às demais candidatas”, afirmou ao anunciar sua abstenção.
Presidente determina apuração
O presidente do TJ-MT, desembargador José Zuquim, reagiu aos questionamentos e afirmou que, naquele momento, não havia provas suficientes para confirmar qualquer irregularidade na eleição.
“Eu não conduziria uma eleição viciada, colocando em risco a integridade de todos os membros. Independentemente da instauração de um procedimento, que eu já determino que instaurarei, eu vou prosseguir com a eleição se não há prova suficiente”, afirmou.
Outros desembargadores também mencionaram que desistências já haviam ocorrido em processos anteriores e se posicionaram contra a abertura de investigações naquele momento, sob o argumento de que não havia elementos que comprovassem irregularidades.
A lista, portanto, foi definida com Kamila Teischmann, Mara Samaniego e Angélica Maciel. A decisão sobre quem ocupará a vaga no TRE-MT agora deixa o âmbito estadual e seguirá para análise do TSE e, posteriormente, para escolha do presidente da República.
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