Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
CASO RENATO NERY

TJMT restabelece afastamento de policiais da Rotam e impõe restrições em investigação sobre morte Renato Nery

CASO RENATO NERY

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) determinou o restabelecimento do afastamento de quatro policiais militares da Rotam investigados por suposta participação na simulação de um confronto armado que teria sido utilizado para encobrir o assassinato do advogado Renato Nery.

A decisão, cumprida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, acatou determinação do Tribunal e revogou autorização anterior que havia permitido o retorno dos militares às atividades operacionais em dezembro do ano passado.

Com a nova ordem, os policiais — Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Waison Alessandro e Wekcerlley Benevides de Oliveira — voltam a ficar restritos a funções administrativas, com uso de monitoramento eletrônico, proibição de porte de arma de fogo e impedimento de participação em patrulhamento ostensivo.

O magistrado também determinou que o Comando-Geral da Polícia Militar adote medidas para recolhimento de armamentos e fiscalização do cumprimento das restrições impostas.

Decisão do TJMT aponta risco à investigação

A medida segue decisão anterior da desembargadora Juanita Cruz Clait Duarte, que entendeu que o retorno dos investigados ao serviço operacional não atende aos critérios de adequação e necessidade das medidas cautelares.

Segundo o acórdão, a atuação dos policiais em atividades ostensivas com porte de arma pode representar risco à instrução processual, incluindo possibilidade de intimidação indireta de testemunhas e eventual reiteração de condutas sob investigação.

O Tribunal também destacou que medidas como a simples proibição de contato com testemunhas não seriam suficientes para neutralizar os riscos apontados, diante da gravidade das imputações.

Investigação e denúncia do Ministério Público

Os policiais são investigados por suposta participação em um esquema que teria simulado um confronto armado após a morte do advogado Renato Nery.

De acordo com o Ministério Público, por meio de denúncia apresentada pelo promotor Henrique Pugliesi, os investigados integrariam um grupo identificado em investigação como “Gol Branco”, apontado como responsável por ações envolvendo simulação de confrontos e possíveis execuções.

A acusação foi embasada em relatórios periciais extraídos de celulares apreendidos durante a investigação, que, segundo o MP, reuniriam mensagens e registros relacionados aos fatos apurados.

Caso segue sob análise judicial

Dois dos policiais também são réus em outro processo relacionado à Operação Simulacrum, que apura a atuação de um grupo investigado por simular confrontos para justificar mortes decorrentes de ações policiais.

As investigações sobre o assassinato do advogado Renato Nery seguem em andamento, com análise de suposta participação de diferentes núcleos e intermediações relacionadas ao crime.

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