Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
DURANTE FISCALIZAÇÃO

Trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão em fazenda de Peixoto de Azevedo

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Ao menos 25 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda localizada no município de Peixoto de Azevedo (a cerca de 692 km de Cuiabá), informou a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso (SRTE‑MT). A operação ocorreu entre os dias 26 e 28 de março e o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo o, informações, a fiscalização encontrou situações graves de cerceamento de liberdade, servidão por dívida e condições degradantes de trabalho e de vida. A fazenda, dedicada à criação de gado, fica em área isolada, acessível por cerca de 100 quilômetros de estrada de chão em péssimas condições.

Os trabalhadores resgatados eram originários de diversos estados — Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará — além de alguns mato‑grossenses, e estavam distribuídos entre a sede da fazenda e seis alojamentos distantes. Conforme os fiscais, os alojamentos não tinham sinal de telefone nem acesso à internet, e o único ponto com conexão limitada ficava entre quatro e 17 quilômetros de distância, sem transporte disponível.

A dificuldade de locomoção era agravada pela ausência de transporte público e pela falta de condução fornecida pela fazenda, o que fazia com que alguns trabalhadores estivessem no local há mais de sete meses sem conseguir sair.

Irregularidades trabalhistas e econômicas

A fiscalização identificou diversas violações dos direitos trabalhistas, incluindo a ausência de descanso semanal remunerado. A maioria dos trabalhadores cumpria jornada de segunda a sábado e, aos domingos, era obrigada a realizar diárias pagas à parte, sem qualquer registro formal, configurando jornada contínua e extenuante.

Os fiscais também apontaram alto nível de endividamento dos trabalhadores, apesar de haver fornecimento de alimentação básica. Itens essenciais, como produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza e até papel higiênico, eram vendidos aos empregados em um almoxarifado interno e em uma mercearia dentro da própria fazenda.

Além disso, os trabalhadores assinavam vales e recibos em branco, sem discriminação de valores, o que impedia o controle das dívidas. Em muitos casos, os pagamentos eram feitos por meio de descontos em folha, reforçando a dependência econômica, segundo a fiscalização.

As condições de moradia também foram consideradas degradantes. Os fiscais encontraram ausência de estrutura adequada para lavagem e secagem de roupas, falta de roupas de cama e exposição a riscos químicos, já que as vestimentas utilizadas na aplicação de agrotóxicos eram lavadas junto às roupas pessoais. Trabalhadores também operavam máquinas sem capacitação adequada e em condições de risco grave.

Penalidades e acolhimento

Durante a operação, foram interditados vários setores e equipamentos da propriedade, incluindo espaços confinados, fábrica de ração, oficina mecânica, serraria e açougue, além de 10 máquinas e instalações elétricas em parte da fazenda. A cozinha da sede também foi interditada em razão das precárias condições de higiene.

Após o resgate, os trabalhadores receberam acolhimento por meio do Projeto Ação Integrada (PAI/MT), coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A operação contou ainda com o apoio da Polícia Militar de Mato Grosso (PM‑MT) e da Polícia Federal, reforçando a atuação integrada no combate ao trabalho escravo no estado.

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