Três histórias, um mesmo sonho: o reconhecimento da paternidade transforma vidas
Iniciativa do Judiciário oferece gratuitamente reconhecimento voluntário, orientação jurídica e exames de DNA para garantir direitos e fortalecer vínculos familiares
MTMarcia Tomaz
Histórias de pais que buscam se aproximar dos filhos, homens que procuram esclarecer dúvidas sobre a paternidade e mães que lutam para garantir aos filhos o direito de conhecer a própria origem fazem parte do Mutirão Pai Presente 2026, realizado pelo Poder Judiciário de Mato Grosso.
Com trajetórias diferentes, mas um mesmo objetivo, famílias de todo o Estado procuram a iniciativa para regularizar vínculos, buscar o reconhecimento da paternidade e assegurar direitos por meio da Justiça.
O mutirão oferece gratuitamente serviços como reconhecimento voluntário de paternidade, orientação jurídica e encaminhamento para exame de DNA nos casos em que há necessidade de comprovação. A ação deste ano encerrou nesta sexta-feira (7).
Além de facilitar o acesso à Justiça, a iniciativa busca fortalecer laços familiares e garantir cidadania a crianças, adolescentes e adultos que aguardam pelo reconhecimento de sua origem
Há oito anos, o corretor de imóveis Nilson Batista aguarda a oportunidade de exercer plenamente o papel de pai. Depois do fim do relacionamento, a mãe da criança mudou de cidade, interrompeu o contato e ele perdeu a convivência com a filha.
Agora, com o exame de DNA, Nilson espera conseguir incluir seu nome na certidão de nascimento e, a partir disso, buscar judicialmente o direito de participar da vida da menina. "Dando positivo, vou colocar meu nome no registro e aí vou exercer o direito que eu tenho de ver ela", afirmou.
Ele conta que já gastou com advogado particular durante mais de um ano tentando resolver a situação. Para ele, iniciativas como o mutirão tornam o caminho mais rápido e menos oneroso. "Para quem quer resolver e colocar sua situação em ordem, isso aqui é uma mão na roda", resumiu.
A resposta que muda vidas
O açougueiro Alberto de Souza também procurou o mutirão em busca de uma resposta definitiva. Após ser informado pela mãe da criança de que poderia ser o pai de um menino de quase três anos, ele foi intimado para realizar o exame e compareceu ao Fórum.
"O DNA não erra, não mente. Se for meu, eu vou assumir", afirmou.
Para ele, mais do que confirmar um vínculo biológico, ser pai significa estar presente. "Pai não é só aquele que assume. É aquele que dá carinho, atenção, leva para passear e está junto", disse.
Alberto destacou ainda a importância do atendimento gratuito oferecido pelo Judiciário. "Não é todo mundo que tem condição de pagar um exame. Ter esse serviço de graça é uma oportunidade muito boa", avaliou.
O direito de conhecer a própria origem
Com a filha de apenas sete meses no colo, a operadora de câmeras de monitoramento Emilly de Oliveira participou do mutirão em busca do exame de DNA solicitado durante o processo judicial.
Para ela, independentemente do resultado, o mais importante é garantir que a filha tenha acesso à própria história. "Toda criança merece ter um pai, pelo menos na certidão de nascimento. Se ele não quiser ser presente, aí é uma questão entre ele e ela futuramente. Mas ela vai saber que eu fui atrás e não neguei esse direito", afirmou.
Emilly também ressaltou a importância de o exame ser oferecido gratuitamente. "Não é todo mundo que tem oportunidade e dinheiro para pagar. Aqui a gente consegue fazer de graça", destacou.
Atendimento durante todo o ano
Embora o Mutirão Pai Presente concentre atendimentos nesta semana, os serviços continuam disponíveis ao longo de todo o ano nos Cejuscs do estado. A população pode buscar o reconhecimento voluntário de paternidade, a investigação de paternidade com exame de DNA e o reconhecimento de paternidade socioafetiva.