Trigo fecha em alta em Chicago e mercado acompanha competitividade do cereal argentino
Contratos avançaram nesta segunda-feira (15), enquanto agentes do mercado monitoram a oferta da Argentina e os reflexos para as importações brasileiras

Os preços futuros do trigo encerraram a sessão desta segunda-feira (15) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT). O mercado encontrou suporte em movimentos de ajuste técnico e na atenção dos operadores às condições de oferta entre os principais exportadores globais.
O contrato julho/26 fechou cotado US$ 5,90 por bushel, com valorização de 5 pontos. O setembro/26 encerrou a US$ 6,00 por bushel, alta de 4,50 pontos. Já o dezembro/26 terminou o dia a US$ 6,17 por bushel, também com ganho de 4,50 pontos.
Além dos fatores tradicionais ligados ao clima e à oferta mundial, o mercado acompanha a posição da Argentina no comércio internacional de trigo. O país vizinho segue como principal fornecedor do cereal para o Brasil e mantém elevada competitividade nos mercados de exportação, impulsionada pelo volume disponível para embarque e pela proximidade logística com os compradores da América do Sul.
Para os agentes brasileiros, porém, o foco não está apenas na quantidade ofertada. Analistas do setor destacam que a qualidade do trigo argentino tem sido um dos principais temas de discussão nesta temporada. Segundo avaliações divulgadas pela indústria moageira e por especialistas de mercado, parte relevante da safra argentina apresenta menor teor de proteína, característica fundamental para a produção de farinhas destinadas à panificação.
De acordo com o analista de Safras & Mercado, Élcio Bento, uma parcela significativa da produção argentina não atende plenamente às exigências da indústria brasileira de panificação, o que pode ampliar a necessidade de importações de origens alternativas, como Estados Unidos e Rússia, para compor os padrões de qualidade exigidos pelos moinhos nacionais.
Para o produtor brasileiro, esse cenário merece atenção. Embora a ampla oferta argentina continue sendo um fator de concorrência para o trigo nacional, as discussões sobre qualidade podem abrir oportunidades para lotes com melhor padrão tecnológico, especialmente em um momento em que o Brasil projeta redução de área cultivada e menor produção na safra atual.
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