Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
TURISMO DE AVENTURA

Trilha Transespinhaço percorre mais de mil quilômetros e atravessa paisagens de três biomas em Minas Gerais

Rota liga Ouro Branco a Espinosa, passa por mais de 40 municípios e conecta 53 unidades de conservação

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Uma viagem de mais de mil quilômetros por montanhas, cachoeiras, cânions, cavernas, campos rupestres e vilarejos históricos corta Minas Gerais de sul a norte. Esse é o percurso da Trilha Transespinhaço, rota de longo curso que liga os municípios de Ouro Branco e Espinosa e atravessa diferentes paisagens da Serra do Espinhaço.

Considerada uma das maiores trilhas de longo curso do Brasil, a Transespinhaço passa por mais de 40 municípios e conecta 53 unidades de conservação. No caminho, reúne áreas naturais protegidas, patrimônios culturais, comunidades tradicionais e atrações ligadas à gastronomia regional.

Reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, a Serra do Espinhaço é considerada a única cordilheira do Brasil. A região também funciona como uma área de transição entre os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, o que ajuda a explicar a variedade de paisagens e espécies encontradas ao longo do trajeto.

Montanhas que chegam a mais de 2 mil metros

A altitude é um dos elementos que marcam a experiência na Transespinhaço. Entre os pontos de maior destaque estão o Pico do Sol, com 2.100 metros; o Pico do Itambé, com 2.052 metros; o Dois Irmãos, com 1.825 metros; e o Pico do Itacolomi, com 1.772 metros.

O percurso também inclui áreas como os parques estaduais do Itacolomi, Pico do Itambé, Rio Preto, Biribiri, Serra do Intendente e Serra Nova, além de outras unidades de conservação conectadas pela rota.

Ao longo da caminhada, o visitante encontra ainda cachoeiras, cânions, cavernas e formações rochosas. A trilha passa por vilarejos históricos e comunidades quilombolas e reúne pontos relacionados ao patrimônio cultural da região, incluindo trechos associados à Estrada Real.

Rota é dividida em setores

Pela extensão, a Transespinhaço não precisa ser percorrida de uma única vez. O traçado é organizado em setores, permitindo que o visitante escolha diferentes trechos de acordo com o tempo disponível e o tipo de experiência que procura.

O Setor 1 reúne caminhos que convergem para a Serra da Piedade. Um dos ramais parte de Ouro Branco e passa por localidades como Itatiaia, Chapada e Lavras Novas, além do Parque Estadual do Itacolomi, Serra do Chafariz, Floresta Estadual do Uaimii, Capanema e Parque Nacional da Serra do Gandarela.

Outro caminho do mesmo setor passa pela Serra dos Mascates e Serra da Moeda, Topo do Mundo, Serra da Calçada, Parque Estadual do Rola-Moça, BR-356, Mina de Águas Claras, Serra do Curral e chega à região de Sabará/Pompéu.

O Setor 2 conecta a Serra dos Alves e o Alto Palácio, no Parque Nacional da Serra do Cipó, ao norte do Parque Estadual da Serra do Intendente, seguindo até Gouveia.

Já o Setor 3 começa em Datas e passa por Gouveia, Presidente Kubitschek, Serro, Santo Antônio do Itambé, São Gonçalo do Rio Preto e Couto de Magalhães de Minas, terminando em Diamantina.

O Setor 4 interliga áreas como o Parque Nacional das Sempre Vivas, o Parque Estadual de Botumirim, Cristália e o Parque Estadual de Grão Mogol.

Como planejar a viagem

A logística depende do trecho escolhido. Quem pretende começar pelo marco de Ouro Branco pode utilizar Belo Horizonte como principal ponto de acesso à região, tanto por via terrestre quanto aérea.

Para os trechos intermediários e para as áreas mais ao norte, cidades como Conceição do Mato Dentro, Diamantina, Serro e Bocaiúva funcionam como pontos de apoio para organizar deslocamentos e expedições.

Embora a caminhada seja a atividade mais associada às trilhas de longo curso, a Transespinhaço também pode ser aproveitada para outras modalidades, como cicloturismo, montanhismo, observação de aves, corridas, campismo e observação de fauna, flora e formações geológicas.

Além do potencial turístico, a rota atravessa uma região de grande importância ambiental. Ao conectar áreas protegidas, a trilha contribui para ampliar a proteção de espécies da fauna e da flora e fortalece a conservação de um dos principais corredores de biodiversidade de Minas Gerais.

No Brasil, existem atualmente 246 trilhas de longo curso, que passam por 327 unidades de conservação. Juntas, elas somam mais de 25 mil quilômetros planejados.

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