União Europeia suspende importação de carne, ovos e mel do Brasil a partir desta quinta-feira

A União Europeia suspenderá a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina, carne de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia nesta semana e está relacionada à falta de garantias consideradas suficientes pelas autoridades europeias de que o país atende às regras do bloco para o uso de antimicrobianos na produção animal.
A medida não surgiu de uma decisão tomada nos últimos dias. Em maio, a Comissão Europeia já havia retirado o Brasil da relação de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal sob as novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. O prazo para a suspensão efetiva foi estabelecido para 3 de setembro.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda precisa demonstrar que possui controles capazes de assegurar o cumprimento das normas exigidas pelo bloco. A União Europeia proíbe, entre outras práticas, o uso de antimicrobianos com a finalidade de estimular o crescimento ou aumentar a produtividade dos animais. Também não permite o uso, na produção destinada ao mercado europeu, de determinados medicamentos antimicrobianos considerados reservados ao tratamento de infecções em seres humanos.
A Comissão Europeia afirmou que mantém diálogo com as autoridades brasileiras e que as exportações poderão ser retomadas quando o país comprovar a conformidade com as exigências.
A situação, porém, pode ter desdobramentos diferentes conforme o produto. Uma auditoria envolvendo os setores de aves e mel está em andamento e tem previsão de conclusão nesta sexta-feira (4). Caso a avaliação seja considerada satisfatória e haja autorização dos países europeus, esses produtos poderão voltar ao mercado do bloco nas semanas seguintes.
Para a carne bovina, a retomada tende a ser mais demorada. A própria Comissão Europeia explicou que o período necessário para que o Brasil consiga comprovar o atendimento às exigências varia de acordo com a espécie e os ciclos de produção.
A suspensão ocorre em um momento delicado para as relações comerciais entre Brasil e União Europeia. O bloco e o Mercosul avançaram no acordo de livre-comércio, firmado em janeiro de 2026, que envolve Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A política agrícola europeia e a concorrência de produtos importados têm provocado resistência de produtores e setores agrícolas de países europeus.
O impacto econômico da decisão também é relevante. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a União Europeia, com mais de 92 mil toneladas exportadas, que representaram mais de 713 milhões de euros, cerca de R$ 4,3 bilhões. O país também possui participação expressiva no fornecimento de carne de aves ao mercado europeu.
A justificativa apresentada pela União Europeia está ligada ainda ao combate à resistência antimicrobiana, fenômeno que ocorre quando bactérias e outros microrganismos desenvolvem resistência aos medicamentos utilizados para combater infecções. A legislação europeia estabelece controles específicos para resíduos de medicamentos veterinários e para substâncias antimicrobianas presentes em produtos de origem animal importados pelo bloco.
A Comissão Europeia não estabeleceu uma data única para a retomada das importações brasileiras. O retorno dependerá da comprovação de que os controles adotados no país atendem aos padrões exigidos pelas autoridades europeias.
Enquanto isso, o setor exportador brasileiro acompanha as negociações para tentar reverter a suspensão e evitar que a restrição se prolongue, principalmente no mercado de carne bovina, que possui forte participação nas vendas brasileiras para a Europa.
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