Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
SAFRA 2026/27

USDA aponta Brasil na liderança global da soja na safra 2026/27

Segundo o USDA, a produção mundial de soja deverá atingir 441,54 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 3,26% em relação ao ciclo anterior.

AGRO/SOJA

A projeção recorde para a safra brasileira de soja em 2026/27 voltou a colocar o Brasil no centro das atenções do mercado internacional de grãos. Os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e repercutidos no boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) reforçam um cenário de ampla oferta global da commodity, mas também acendem alerta para os riscos climáticos nos próximos meses.

Segundo o USDA, a produção mundial de soja deverá atingir 441,54 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 3,26% em relação ao ciclo anterior. O avanço é puxado, principalmente, pela expectativa de nova supersafra no Brasil e pela manutenção da forte produção norte-americana.

Para o mercado, o principal destaque foi justamente a estimativa para o Brasil. O país deve colher 186 milhões de toneladas de soja, volume recorde e 3,33% superior ao registrado na temporada passada. Caso o cenário se confirme, o Brasil ampliará ainda mais sua liderança global na produção e exportação da oleaginosa.

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, os números são acompanhados de perto por produtores e tradings, principalmente em um momento em que o mercado tenta equilibrar expectativa de oferta elevada e incertezas climáticas. O possível avanço do fenômeno El Niño segue no radar do setor e pode influenciar diretamente o comportamento das chuvas durante o desenvolvimento da próxima safra.

Apesar da perspectiva de produção robusta, o mercado internacional continua encontrando sustentação na demanda aquecida, sobretudo da China, principal compradora mundial da commodity. O USDA estima que as exportações globais de soja alcancem 189,22 milhões de toneladas no próximo ciclo, mantendo o fluxo internacional em patamares historicamente elevados.

Outro fator que chamou atenção do mercado foi a redução dos estoques finais mundiais. Mesmo diante de uma safra recorde, os estoques globais devem recuar para 124,78 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a queda projetada nos estoques chega a 8,75%, movimento ligado ao aumento da demanda doméstica pela oleaginosa, especialmente para esmagamento e produção de biocombustíveis.

Para analistas do agronegócio, o cenário desenhado pelo USDA indica um mercado que continuará extremamente sensível às condições climáticas na América do Sul. Embora a expectativa inicial seja de ampla oferta, qualquer problema climático no Brasil poderá alterar rapidamente o comportamento dos preços internacionais ao longo da safra 2026/27.

Com isso, produtores de Mato Grosso seguem atentos não apenas ao avanço do plantio nos próximos meses, mas também à movimentação do dólar, aos prêmios de exportação e ao comportamento da demanda chinesa, fatores que devem continuar ditando o ritmo do mercado da soja no segundo semestre.

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