USDA reduz projeção de estoques mundiais de algodão para o menor nível desde 2018/19

A nova estimativa de oferta e demanda mundial de algodão divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para uma redução dos estoques globais da fibra na safra 2026/27. Segundo o relatório, os estoques finais foram revisados para baixo em junho e devem atingir o menor patamar desde a temporada 2018/19, refletindo o forte ritmo das exportações e o avanço do consumo nos principais mercados importadores.
A revisão ocorreu após a redução dos estoques iniciais da safra 2026/27, consequência do desempenho das exportações do Brasil e dos Estados Unidos ao longo da temporada anterior. Com menos produto disponível na passagem entre os ciclos e sem aumento na produção mundial, o balanço global tornou-se mais apertado.
O USDA manteve a estimativa de produção mundial em 25,27 milhões de toneladas para a safra 2026/27. Em contrapartida, elevou a previsão de consumo para 26,51 milhões de toneladas, volume superior à oferta projetada.
O crescimento da demanda foi impulsionado principalmente pelos países asiáticos. A Índia, um dos maiores consumidores mundiais da fibra, decidiu manter zeradas até 31 de outubro as tarifas de importação do algodão, medida adotada para ampliar a oferta interna e garantir o abastecimento da indústria têxtil.
Diante desse cenário, a relação entre estoques e consumo mundial recuou para 58,42%, abaixo dos 59,04% projetados no mês anterior, reforçando a percepção de oferta mais restrita no mercado internacional.
Na avaliação do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o ajuste nos números globais deu sustentação às cotações da fibra na Bolsa de Nova York no dia da divulgação do relatório, uma vez que estoques menores tendem a aumentar a preocupação dos agentes com a disponibilidade futura do produto.
Apesar dos fundamentos mais favoráveis, o mercado segue acompanhando o desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Na última semana, o contrato de algodão com vencimento em julho de 2026 negociado em Nova York acumulou queda de 4,71%, influenciado pelas boas condições das áreas cultivadas nos Estados Unidos e pela cautela dos investidores.
A redução dos estoques globais ocorre em um momento em que o mercado busca sinais sobre o equilíbrio entre oferta e demanda para a próxima temporada. Caso o consumo continue avançando acima da produção, a tendência é de manutenção da pressão sobre a disponibilidade mundial da fibra.
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