Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
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Abilio critica punição do PL e aponta “hipocrisia” contra prefeitos que apoiam Pivetta

abilio brunini

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou a decisão do Partido Liberal (PL), de abrir procedimentos que podem resultar na expulsão de prefeitos da legenda que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) na disputa pela reeleição em Mato Grosso. A conduta contraria a orientação da própria sigla, que tem Wellington Fagundes como candidato.

Para Abilio, a medida é radical e não estaria sendo aplicada de forma uniforme entre os partidos que integram o mesmo campo político.

Na quarta-feira (2), o presidente do partido em Mato Grosso, Ananias Filho, confirmou que a legenda avalia medidas disciplinares contra os prefeitos que passaram a apoiar o governador. A movimentação atingiu diretamente lideranças municipais e expôs a divisão existente dentro do partido durante a formação dos palanques para 2026.

Entre os casos que provocaram maior repercussão está o do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), que declarou apoio a Pivetta. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), também está entre as lideranças do partido que se aproximaram do governador.

Abilio questionou, porém, por que a cobrança de fidelidade estaria concentrada nos integrantes do PL enquanto políticos de outras siglas que fazem parte do mesmo arco político também apoiam Pivetta.

“O MDB vai expulsar os candidatos dele que estão apoiando o Pivetta? Porque você tem o Tiago apoiando o Pivetta, você tem o doutor João apoiando o Pivetta. São candidatos que têm grandes possibilidades de serem eleitos dentro do MDB e estão apoiando candidato governador de outro partido.”

A crítica ocorre em um cenário no qual o MDB integra a composição política liderada pelo PL, com Janaína Riva (MDB) na chapa de Wellington Fagundes, enquanto setores do partido mantêm aproximação com Pivetta.

Para Abilio, a adoção de punições apenas contra integrantes do PL cria um tratamento desigual entre as legendas que participam do mesmo ambiente político.

“Não acredito que deve tomar essa medida, radicalizando apenas com o PL, enquanto os outros partidos fazem parte do mesmo arco de aliança e eles estão ali apoiando outro lado e não tem nenhuma penalidade."

Abilio também citou a presidente estadual do MDB, deputada Janaína Riva, ao questionar a cobrança de fidelidade partidária feita pelo PL. Segundo o prefeito, Janaína esteve em um mesmo palanque político com Otaviano Pivetta (Republicanos) e o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), em uma agenda no município de Jaciara.

“Recentemente eu vi um vídeo, inclusive, da própria Janaína, acho que estava em Jaciara. Estava no mesmo palanque a Janaína, o Pivetta, o Max e etc. E eu acho que essa hipocrisia de fidelidade partidária tinha caído por terra ali naquele mesmo momento”, disparou.

Segundo Abilio, os prefeitos que decidiram apoiar Pivetta podem estar levando em consideração também a relação institucional com o governo estadual e os interesses de seus municípios.

“Eu acredito que o que os prefeitinhos que estão fazendo é defendendo seus princípios e buscar aliança com o governador e defesa dos seus municípios.”

Apesar da defesa aos prefeitos que romperam com a orientação do PL, Abilio afirmou que não pretende rever sua própria posição política.

“Uma medida já foi tomada, minha decisão já foi tomada, meu posicionamento já foi tomado. Não vou volta a ficar discutindo a situação, mas acredito que a penalidade de expulsar do partido seria muito radical", destaca.

“Não é por imposição, não é por associação, não é por obediência. Não voto de ninguém. Qualquer tipo de ameaça que você fizer sobre isso, essa ameaça pode simplesmente fazer perder mais apoiadores ainda.”

Abilio questionou ainda qual seria a consequência política de uma expulsão caso os prefeitos mantivessem influência eleitoral e administrativa após a disputa.

“Imagina, se agora já está ameaçado, tirado de perto, se ganhar e não estiver contente, vai fazer o quê?”

“Então acho que essa medida não é inteligente de tomar.”

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