Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
OBRAS SOB SUSPEITA

Alvo da PF é sócio da empresa responsável pelo "asfalto farelo" na MT-170

Marcelo Bozetti, da MT Sul Construções, é investigado na Operação Peso Bruto. Empresa liderou obra da MT-170, alvo de críticas após pavimento se deteriorar em menos de um ano e virar símbolo do chamado "asfalto farelo".

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O empresário Marcelo Bozetti, alvo da Operação Peso Bruto da Polícia Federal, deflagrada nesta terça-feira (4), para apurar supostas irregularidades na extração de minério em Rosário Oeste, é um dos sócios da MT Sul Construções, empresa que ganhou notoriedade em Mato Grosso após executar a pavimentação de um trecho da MT-170 que se deteriorou em menos de um ano e ficou conhecido como "asfalto farelo". A obra de R$ 130 milhões segue sob fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e de outros órgãos de controle devido às falhas constatadas na execução.

Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que a atividade minerária teria sido realizada fora dos limites autorizados pelos títulos minerários e pelas licenças ambientais. As apurações indicam a extração de mais de 34 mil toneladas de calcário em desacordo com a legislação, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 3 milhões à União.

As investigações tiveram início após a identificação de exploração mineral em área não autorizada. Fiscalizações administrativas, análises geoespaciais e perícias da Polícia Federal reforçaram os indícios de irregularidades, que motivaram o cumprimento de mandados na operação.

Em nota, Marcelo Bozetti afirmou que está colaborando com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos solicitados. O empresário sustenta que as questões apontadas já eram discutidas com os órgãos competentes e afirma possuir documentação e laudos técnicos que comprovariam a regularidade de suas atividades minerárias.

Relembre o caso do "asfalto farelo"

A MT Sul Construções liderou o consórcio responsável pela pavimentação de um trecho de aproximadamente 50 quilômetros da MT-170, entre Castanheira e Juruena. A obra, orçada em cerca de R$ 130 milhões, passou a ser alvo de questionamentos após o pavimento apresentar desgaste severo antes mesmo de completar um ano de execução.

O problema ganhou repercussão estadual depois que o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, realizou uma inspeção no local e classificou a situação como inaceitável.

Na ocasião, o conselheiro afirmou que o asfalto havia praticamente desaparecido em diversos pontos da rodovia, popularizando a expressão "asfalto farelo".

Após a fiscalização, o TCE determinou o acompanhamento do caso e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) notificou as empresas responsáveis para refazerem os serviços sem custos adicionais ao Estado. O secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, chegou a afirmar que "quem fez malfeito vai ter que refazer", responsabilizando as construtoras pelas falhas encontradas na execução da obra.

Embora a investigação da Polícia Federal trate exclusivamente de supostas irregularidades na atividade minerária, o fato de um dos sócios da empresa envolvida no caso do "asfalto farelo" voltar a ser alvo de uma operação policial amplia a repercussão em torno da MT Sul Construções, que continua sob fiscalização dos órgãos de controle em razão das obras executadas na MT-170.

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