Irmão de Silval Barbosa vira alvo da PF em operação contra fraude na obtenção de CAC
Empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho foi alvo de busca e apreensão em condomínio de luxo em Cuiabá; policiais encontraram revólver e 46 munições

O empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho, irmão do ex-governador Silval Barbosa, foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (20), em Cuiabá. A ação faz parte da Operação Guardiões de Fogo, investigação que apura suspeitas de fraude na obtenção de registros de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e a consequente posse irregular de armas de fogo.
O mandado foi cumprido na residência do empresário, localizada no Condomínio Alphaville, na Capital. Durante as buscas, os policiais apreenderam um revólver calibre .36 e 46 munições.
Segundo as informações da investigação, Antônio teria utilizado documentação considerada fraudulenta ou inidônea para conseguir o registro de CAC, burlando exigências previstas na legislação para a concessão do certificado. A suspeita é de que a documentação apresentada tenha permitido o acesso regularizado ao armamento a partir de um registro obtido de forma irregular.
A obtenção do Certificado de Registro (CR) de CAC exige o cumprimento de uma série de requisitos, entre eles a comprovação de idoneidade, capacidade técnica para o manuseio de armas e aptidão psicológica. A investigação busca justamente verificar se essas exigências foram cumpridas de forma legítima no caso do empresário.
Operação já teve outras fases
A Guardiões de Fogo é uma investigação conduzida pela Polícia Federal para combater irregularidades relacionadas à obtenção de registros de CAC e à aquisição de armas decorrente desses certificados.
A primeira fase foi deflagrada em 9 de julho, em Mato Grosso do Sul. Na ocasião, a PF informou ter apreendido cerca de 300 munições, duas pistolas calibre 9 mm e um fuzil calibre .22. Segundo a corporação, a investigação apontava que o alvo teria apresentado documentos inaptos durante o processo de concessão do registro.
Em 11 de agosto, a PF deflagrou uma segunda fase da operação, também em Mato Grosso do Sul. Um novo mandado de busca e apreensão foi cumprido e armas, munições, documentos e outros materiais de interesse investigativo foram recolhidos.
Já em 5 de agosto, a corporação havia informado uma terceira fase da investigação, desta vez em Itabaiana, Sergipe. Naquele caso, a PF apurava a obtenção supostamente irregular de certificado de CAC e informou que o investigado poderia responder por crimes como falsidade ideológica e posse ou porte ilegal de arma de fogo.
Irmão de Silval já foi alvo de outras investigações
Antônio da Cunha Barbosa Filho, conhecido como Toninho Barbosa, não é um nome desconhecido das investigações envolvendo a antiga estrutura de poder de Mato Grosso.
Irmão do ex-governador Silval Barbosa, ele firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal em 2017. Documentos relacionados ao acordo registram Antônio como empresário e apontam que ele relatou fatos envolvendo crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. O acordo também previa o pagamento de indenização ao Estado de Mato Grosso.
O nome de Antônio também aparece em processos e investigações anteriores relacionados à gestão de Silval Barbosa. Em uma ação penal que tramita na Justiça de Mato Grosso, ele figura entre os acusados ao lado do ex-governador e de outros investigados.
Investigação segue
A apreensão realizada nesta quinta-feira deverá passar por análise da Polícia Federal. O material recolhido pode ser utilizado para esclarecer a origem do armamento, a documentação apresentada para a obtenção do registro de CAC e eventual relação entre as informações declaradas no procedimento administrativo e a situação encontrada pelos policiais.
Até o momento, a medida cumprida contra Antônio da Cunha Barbosa Filho é de busca e apreensão. A investigação ainda está em andamento e a existência de suspeitas ou de uma investigação não significa, por si só, condenação ou comprovação definitiva dos crimes atribuídos ao investigado.
A Polícia Federal ainda não havia divulgado, até a publicação desta reportagem, detalhes adicionais sobre a decisão judicial que autorizou a busca em Cuiabá.
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