Mega Diário Cuiabá · Quarta-feira, 4 de novembro de 2026
OPERAÇÃO GUARDIÕES DE FOGO

Irmão de Silval Barbosa vira alvo da PF em operação contra fraude na obtenção de CAC

Empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho foi alvo de busca e apreensão em condomínio de luxo em Cuiabá; policiais encontraram revólver e 46 munições

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O empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho, irmão do ex-governador Silval Barbosa, foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (20), em Cuiabá. A ação faz parte da Operação Guardiões de Fogo, investigação que apura suspeitas de fraude na obtenção de registros de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e a consequente posse irregular de armas de fogo.

O mandado foi cumprido na residência do empresário, localizada no Condomínio Alphaville, na Capital. Durante as buscas, os policiais apreenderam um revólver calibre .36 e 46 munições.

Segundo as informações da investigação, Antônio teria utilizado documentação considerada fraudulenta ou inidônea para conseguir o registro de CAC, burlando exigências previstas na legislação para a concessão do certificado. A suspeita é de que a documentação apresentada tenha permitido o acesso regularizado ao armamento a partir de um registro obtido de forma irregular.

A obtenção do Certificado de Registro (CR) de CAC exige o cumprimento de uma série de requisitos, entre eles a comprovação de idoneidade, capacidade técnica para o manuseio de armas e aptidão psicológica. A investigação busca justamente verificar se essas exigências foram cumpridas de forma legítima no caso do empresário.

Operação já teve outras fases

A Guardiões de Fogo é uma investigação conduzida pela Polícia Federal para combater irregularidades relacionadas à obtenção de registros de CAC e à aquisição de armas decorrente desses certificados.

A primeira fase foi deflagrada em 9 de julho, em Mato Grosso do Sul. Na ocasião, a PF informou ter apreendido cerca de 300 munições, duas pistolas calibre 9 mm e um fuzil calibre .22. Segundo a corporação, a investigação apontava que o alvo teria apresentado documentos inaptos durante o processo de concessão do registro.

Em 11 de agosto, a PF deflagrou uma segunda fase da operação, também em Mato Grosso do Sul. Um novo mandado de busca e apreensão foi cumprido e armas, munições, documentos e outros materiais de interesse investigativo foram recolhidos.

Já em 5 de agosto, a corporação havia informado uma terceira fase da investigação, desta vez em Itabaiana, Sergipe. Naquele caso, a PF apurava a obtenção supostamente irregular de certificado de CAC e informou que o investigado poderia responder por crimes como falsidade ideológica e posse ou porte ilegal de arma de fogo.

Irmão de Silval já foi alvo de outras investigações

Antônio da Cunha Barbosa Filho, conhecido como Toninho Barbosa, não é um nome desconhecido das investigações envolvendo a antiga estrutura de poder de Mato Grosso.

Irmão do ex-governador Silval Barbosa, ele firmou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal em 2017. Documentos relacionados ao acordo registram Antônio como empresário e apontam que ele relatou fatos envolvendo crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. O acordo também previa o pagamento de indenização ao Estado de Mato Grosso.

O nome de Antônio também aparece em processos e investigações anteriores relacionados à gestão de Silval Barbosa. Em uma ação penal que tramita na Justiça de Mato Grosso, ele figura entre os acusados ao lado do ex-governador e de outros investigados.

Investigação segue

A apreensão realizada nesta quinta-feira deverá passar por análise da Polícia Federal. O material recolhido pode ser utilizado para esclarecer a origem do armamento, a documentação apresentada para a obtenção do registro de CAC e eventual relação entre as informações declaradas no procedimento administrativo e a situação encontrada pelos policiais.

Até o momento, a medida cumprida contra Antônio da Cunha Barbosa Filho é de busca e apreensão. A investigação ainda está em andamento e a existência de suspeitas ou de uma investigação não significa, por si só, condenação ou comprovação definitiva dos crimes atribuídos ao investigado.

A Polícia Federal ainda não havia divulgado, até a publicação desta reportagem, detalhes adicionais sobre a decisão judicial que autorizou a busca em Cuiabá.

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