Mega Diário Cuiabá · Quinta-feira, 5 de novembro de 2026
VEJA VÍDEO

Buzetti rebate Galvan após questionar lei de feminicídio: "ele deveria repensar se ele quer ser um homem público"

Candidata ao Senado afirma que violência contra mulheres não pode ser tratada como questão ideológica e defende legislação específica para combater o crime

Design sem nome (87)

A candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP) rebateu as declarações do também candidato Antonio Galvan (Avante) sobre o feminicídio e afirmou que um agente público não pode ignorar a violência praticada contra mulheres. A reação ocorreu após Galvan questionar a necessidade de uma legislação específica para o crime e defender que homicídios contra homens e mulheres tenham o mesmo tratamento penal.

As declarações de Galvan ocorreram durante entrevista na última quarta-feira (19). Galvan comparou a diferenciação das leis ao sistema de cotas e afirmou que, se a pena for de 40 anos, ela deveria valer tanto para homicídio quanto para feminicídio.

“Se ele acha que isso não existe, ele não pode ser um homem público. É isso. Porque não pode lavar as mãos, ele não pode fingir que não vê que aquele tipo de crime acontece, porque acontece quatro por dia no Brasil. Então, lamento que ele tenha falado isso”, afirmou Buzetti.

A candidata é autora do projeto que deu origem à Lei 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio. A legislação transformou o feminicídio em crime autônomo e estabeleceu pena de 20 a 40 anos de prisão.

Ao defender a legislação, Buzetti criticou a tentativa de associar a discussão sobre feminicídio a posições ideológicas. Para ela, o debate deve estar concentrado na proteção das vítimas e no enfrentamento da violência.

“É triste ouvir algo assim. Eu falo de mulheres assassinadas, mulheres violentadas, crianças abusadas. Eles acham que a palavra feminicídio é coisa de esquerda. Quando uma mulher é assassinada, eu não pergunto de que lado era um bandido, de que lado era um assassino. Ela foi morta”, afirmou.

Crítica à comparação entre violência contra homens e mulheres

Buzetti também contestou a comparação feita por Galvan entre mortes de homens e mulheres. O candidato havia afirmado que não vê a mesma ênfase quando mulheres matam homens e defendeu que o debate considere também esses casos.

Na avaliação da candidata, as circunstâncias da violência contra mulheres precisam ser consideradas de maneira específica.

“Homem não morre cuidando de criança. Não morre lavando roupa, não morre dentro de casa. O homem morre no bar, morre na facção, morre por causa do futebol”, argumentou.

Buzetti afirmou ainda que discursos que relativizam a violência contra as mulheres podem contribuir para a permanência do problema e cobrou uma postura mais ativa de agentes públicos.

“Pior é que eles nem percebem que pensam assim. Eles não percebem o quanto isso é ruim para a sociedade. Você tem que cuidar da vida das pessoas. Você tem que pensar em proteger, pensar em cuidar e fortalecer, e não fazer de conta que nada acontece”, disse.

“Eu fui lá e fiz”

Ao defender sua atuação no Congresso, Buzetti afirmou que a pauta de proteção às mulheres não deve ser utilizada apenas como discurso eleitoral. Ela citou as leis que ajudou a aprovar e disse que sua atuação ocorreu na formulação de medidas concretas.

“Então esse é um discurso vazio. Sem nexo, e que ele deveria repensar se ele quer ser um homem público”, afirmou.

“Eu fui lá e fiz, fiz quatro leis gigantes, quatro leis estruturantes que não deixam brechas e não usei para fazer discurso. Que tem muito candidato que usa a mulher, a pauta da mulher, a pauta do feminicídio, de mulheres assassinadas para fazer discurso, isso a gente vê. Mas é diferente de quem fala e de quem faz. Eu fui lá e fiz”, completou.

Veja vídeo:

 

Relacionadas